Acusados negam sequestro de sem-terra
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segunda-feira, 12 de abril de 1999
Sandra Mara Mendes 
A Polícia Civil de Francisco Beltrão ouviu o depoimento de todos os presos acusados de envolvimento com o sequestro e tortura do líder sem-terra, Seno Staats, em Renascença, na semana passada. Oito pessoas foram presas na madrugada de sábado, cumprindo o mandado de prisão temporária expedido pelo juiz criminal da Comarca de Francisco Beltrão.
Anderson Pacheco, conhecido por Índio, envolvido no caso, mas não incluído no mandado de prisão, apresentou-se na tarde de ontem na 19ª SDP de Francisco Beltrão. (ver matéria nesta página) Foram presos Antonio Duarte de Araújo, Izaías Machado Soares, Marco Brizola, Nuidir Machado Soares, Valdemar Pinheiro de Ávila, Mario Antunes, José Machado Soares e Henrique Pratti. Estão foragidos Genercy de Siqueira e Olmiro Pacheco. O administrador da Fazenda Santana, Henrique Pratti, nega ser o mandante do sequestro. Ele foi liberado devido a um alvará de soltura.
O delegado-chefe da 19ª SDP de Francisco Beltrão, Valmir Sóccio, disse que no interrogatório, todos os acusados afirmaram que não estavam presentes na ação Isaías Machado e Valdemar Pinheiro de Ávila. De acordo com o depoimento dos envolvidos eles estavam fazendo o patrulhamento da área há cerca de 20 dias, pois havia boatos de uma nova invasão na fazenda. Alguns estavam armados e encapuzados.
No dia do sequestro, ao notarem que os sem terra já tinham ocupado mais uma área, eles rumaram para a sede da fazenda a fim de protegê-la. Na estrada, encontraram Seno Staats. Segundo eles, Seno subiu de livre e espontânea vontade no veículo e que não houve nenhuma agressão ao líder sem terra até então. Após 500 metros, alguns desceram e permaneceram na caminhonete apenas Seno, Pacheco, Índio e Generci. Segundo Sóccio, nenhum dos presos sabe o que realmente aconteceu com Seno, dado que os demais estão foragidos. Informações extra-oficiais indicam que eles devem se apresentar com um advogado nas próximas horas, informou Sóccio.
Conforme os depoimentos, alguns dos envolvidos são funcionários da fazenda e outros foram contratados por Pacheco, ex-cabo da PM e excluído do efetivo da corporação há cerca de dois anos. Sóccio falou que o fato novo é que descobriu-se que Pacheco foi contratado por Plínio de Souza, chefe de Segurança da fazenda com o objetivo de reforçar a segurança e evitar novas invasões. Souza prestou depoimento da Delegacia de Francisco Beltrão e disse que atendeu o pedido de um dos proprietários da fazenda, que pertence ao Grupo Saima, e que mora no RS. Plinio Sousa falou que nenhum dos patrulheiros estavam autorizados a usar de violência física. A Polícia Civil vai pedir a liberação de Isaías e Valdemar, porque pelo apurado, não têm ligação com o caso. O veículo usado no sequestro foi localizado e estava escondido num matagal. As armas ainda não foram encontradas.


