Os dois acusados de sequestro e tortura do líder sem-terra, Seno Staats, Genercy de Siqueira e Olmiro Pacheco, prestaram depoimento ontem na 19ª SDP de Francisco Beltrão e negam todas as acusações. Ambos apresentaram-se na tarde de anteontem na delegacia com seu advogado. Pacheco comandava a patrulha de segurança da Fazenda.
Pacheco e Genercy negam ter usado contra Seno Staats coação física ou psicológica, cárcere privado ou tê-lo encapuzado e amarrado. Eles dizem que não queimaram a vítima com cigarro e nem o asfixiaram com saco plástico.
Genercy declarou que Seno subiu espontaneamente na caminhonete quando foi abordado. Ficaram no veículo apenas ele, Seno e Olmiro Pacheco.
De acordo com ele, Pacheco queria apenas conversar com Staats e o convidou para ir até a sede da fazenda a fim de discutir a retirada dos invasores. Pacheco afirmou que queria levar o líder sem-terra para conversar com os administradores da fazenda Santana. Segundo Pacheco, Seno concordou com a retirada das famílias num primeiro momento, mas que precisava de algumas horas. Depois desistiu de ir até a sede da fazenda.
Como declarou Pacheco, repentinamente o sem-terra abriu a porta da caminhonete. Pacheco alega ter gritado para Genercy, ‘‘segura ele’’. O segurança tentou agarrar Seno e ambos caíram da caminhonete, que estava em baixa velocidade. Depois disso, Seno correu.
Segundo o delegado-chefe, Valmir Sóccio, a polícia está analisando se vai pedir ou não a prisão preventiva dos acusados. Caso não seja expedida a prisão preventiva, Olmiro Pacheco e Genercy devem ser liberados à zero hora de domingo e os demais acusados à zero hora de segunda-feira.

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