Acusados de queimar colega depõem em SP
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terça-feira, 11 de agosto de 1998
Agência Folha 
Brincadeira e fatalidade. Estas foram as duas linhas de defesa apresentadas pelos dois estudantes de Medicina da PUC de Sorocaba (87 km a oeste de São Paulo) envolvidos no caso em que um colega do segundo ano do curso teve 24% do corpo queimado. Os alunos Rodrigo Borstein Martinelli, 24 anos, o Boi , e Marcelo Tiezzi, 23 anos, o Igor, prestaram depoimento ao delegado Celso Araújo, e disseram não ter culpa no ato que culminou em queimaduras de primeiro e segundo graus no estudante Rodrigo Favoretto Piccini, 19 anos.
O médico Leandro Oliveira Pinho, 27 anos, apresentou, por meio do seu advogado, Armando Micheletti, atestado de saúde no qual afirmou não estar em condições psicológicas para comparecer ao interrogatório ontem. Ele é acusado de pôr fogo no estudante com um isqueiro.
Foi uma brincadeira que chegou a proporções muito grandes, afirmou Tiezzi, que compareceu à delegacia de manhã. Igor afirma que não teve participação no caso. Ele disse que viu o Boi jogando álcool aleatoriamente para o alto, sem a intenção de atingir alguém. Ele também disse ter visto o médico acendendo isqueiro no corpo do estudante.
O que ocorreu foi uma fatalidade, depôs Martinelli.
Os depoimentos de Igor e Boi se contradizem com o relatório de outros
estudantes que estavam na festa e prestaram depoimento à polícia. Segundo três alunos de medicina, o médico, Tiezzi e Martinelli tiraram a roupa de Piccini e jogaram álcool. Pinho é acusado de pôr fogo. O depoimento dos dois estudante foi acompanhado por dois promotores criminais de Sorocaba designados pelo Ministério Público para acompanhar do início as investigações.
Segundo o delegado, o inquérito instaurado para apurar o caso pode indiciar os dois estudantes acusados por periclitação da vida - pôr a vida de alguém em perigo - e o médico por tentativa de homicídio com dolo.


