Acusados de morte em magia negra vão a júri
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terça-feira, 14 de junho de 2005
Andréa Lombardo<br>Equipe da Folha 
Curitiba- Dois dos acusados pelo Ministério Público (MP) estadual de envolvimento na morte do menino Evandro Ramos Caetano, em um suposto ritual de magia negra, no dia 7 de abril de 1992, em Guaratuba, Litoral do Estado, vão a julgamento amanhã, no Tribunal do Júri de Curitiba.
Airton Bardelli dos Santos e Francisco Sérgio Cristofolini, indiciados por homicídio qualificado, ficaram presos por sete anos e conseguiram a liberdade provisória em dezembro de 1999. A previsão do MP é de que o júri leve oito dias para ser concluído.
Das sete pessoas indiciadas no caso, três foram condenadas: o pai-de-santo Osvaldo Marcineiro e os auxiliares Vicente de Paula Ferreira e Davi dos Santos Soares. As penas variam de 18 a 20 anos de prisão. Apenas a defesa de Marcineiro recorreu da sentença. Como eles já cumpriram, pelo menos, um terço da pena, teriam direito à progressão de regime ou, ainda, livramento condicional.
As rés Celina e Beatriz Abagge foram absolvidas em julgamento ocorrido no fórum de São José dos Pinhais, em 1998, pois os jurados entenderam que o corpo não seria de Evandro. O Tribunal de Justiça (TJ) do Paraná, no entanto, anulou o julgamento, considerando que havia prova científica de que o corpo era do garoto e que os jurados não poderiam desconsiderar tal prova. As duas deverão ir a novo julgamento até o final deste ano.
Os advogados de Bardelli e Cristofolini, Matheus Gabriel Rodrigues de Almeida e Haroldo César Náter, respectivamente, protocolaram pedido junto ao Tribunal do Júri para que o Conselho de Sentença se desloque, em diligência, a Guaratuba durante a leitura das peças do processo. Eles entendem que é importante mostrar aos jurados os locais onde supostamente teria acontecido o ritual uma serraria da família Abagge e onde o corpo foi encontrado distante 5,4 quilômetros da serraria.
Segundo Almeida, Celina e Beatriz participarão do julgamento como informantes da defesa. O tenente-coronel Valdir Copetti Neves, que à época dos fatos coordenava o grupo Águia do serviço reservado da Polícia Militar e foi acusado pelas rés de comandar uma sessão de tortura para que elas confessassem o crime, também foi arrolado como testemunha, tanto pela defesa como pela acusação. Almeida afirmou que pedirá o adiamento do júri, caso ele não compareça. Neves está preso desde o dia 5 de abril em um outro processo que investiga sua suposta participação na liderança de uma milícia armada na região de Ponta Grossa.
A alegação da defesa de Bardelli e Cristofolini é de que os dois também teriam sido vítimas de tortura, mas que em nenhum momento confessaram participação. Bardelli, segundo o advogado, era funcionário da serraria dos Abagge e a mãe de Cristofolini alugava um andar de um sobrado para o pai-de-santo Marcineiro.
O MP, segundo informações da assessoria de imprensa, sustenta que existem provas das responsabilidades dos réus e que a argumentação de torturas sofridas não tem qualquer amparo no processo. Segundo o MP, os laudos de exame de lesões corporais feitos nos réus não trazem lesões compatíveis com a tortura alegada.
Um dos acusados que, segundo o MP, teria confessado a prática do crime, não apresentava qualquer ferimento. O MP argumenta que todos os procedimentos e inquéritos para apurar as supostas torturas foram arquivados.


