Acusados de matar sem-terra são liberados
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sexta-feira, 31 de dezembro de 2004
Eduardo Kattah<br> Agência Estado 
Belo Horizonte - Três acusados de participação no assassinato de cinco integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST), em Felisburgo (MG), foram soltos na tarde de ontem por determinação da juíza Célia Maria Andrade Corrêa, titular da Comarca de Jequitinhonha. Francisco de Assis Rodrigues de Oliveira, Milton Francisco de Souza e Admilson Rodrigues Lima responderão ao processo em liberdade. Eles haviam sido presos horas depois da chacina, ocorrida no dia 20 de novembro, no acampamento Terra Prometida.
Apenas o fazendeiro Adriano Chafik Luedy - acusado de ser o mentor intelectual e material dos crimes -, de 37 anos, e o vaqueiro Washington Agostinho da Silva, de 31, permanecem presos. Dez outros denunciados, que tiveram prisão preventiva decretada pela Justiça, estão foragidos.
Os cinco acusados prestaram depoimento anteontem no Fórum de Jequitinhonha. O fazendeiro e Washington afirmaram que Francisco, Milton e Admilson não tiveram participação na morte dos sem-terra e que não estiveram no acampamento do MST no dia dos crimes. Os três - apontados como pistoleiros - foram denunciados pelo Ministério Público Estadual (MPE), com base no inquérito da Polícia Civil, por homicídio qualificado e tentativa de homicídio.
Mas há indícios fortes de que eles não participaram e, nesse caso, a prisão torna-se ilegal pelo princípio constitucional da inocência, disse a juíza, justificando sua decisão de conceder liberdade provisória aos acusados. Isso não quer dizer que na conclusão do processo eles não possam ser condenados.
Segundo Célia Maria, Chafik confirmou o depoimento dado ao delegado Wagner Pinto, que presidiu o inquérito policial. Ele é o dono da Fazenda Nova Alegria, invadida em maio de 2002 pelo MST. O governo mineiro reclama parte da propriedade na Justiça, alegando que uma área de aproximadamente 600 hectares é formada por terras devolutas.


