Paulo Pegoraro
De Cascavel
As quatro pessoas presas anteontem, acusadas de envolvimento na morte de uma família de sem-terra, ocorrida terça-feira em Rio Bonito do Iguaçu, no sudoeste do Estado, foram transferidas ontem. A polícia decidiu remover os presos para uma delegacia da região temendo que sem-terra tentassem alguma forma de retaliação. Nenhuma informação sobre o caso vem sendo divulgado pelo delegado que apura a chacina, Ítalo Biancardi Neto, de Quedas do Iguaçu. Os promotores de Justiça que atuam no caso também não dão informações.
Sobre a transferência dos presos, o delegado comentou que havia especulações de que os sem-terra do Assentamento Marcos Freire, onde residia a família assassinada, poderiam tentar alguma represália contra os presos. Os sem-terra estão revoltados com o assassinato do casal Aldenir Almeida de Souza (34) e Noeni Marcanssoni (24) e seus filhos Roni Anderson (3) e Paulo Antonio (5), mortos a tiros de espingarda calibre 12 e de revólver, e degolados a facão.
O casal deveria prestar depoimento na Justiça como testemunha de crimes como roubo de madeira e de carros e tráfico. Segundo policiais, as duas crianças foram mortas porque, possivelmente, conheciam os criminosos.
A ordem de sigilo sobre as investigações é cumprida por todas as autoridades policiais da região. Segundo o delegado Ítalo Biancardi Neto, embora a Justiça tenha decretado a prisão preventiva dos acusados, ainda falta ‘‘fechar o caso’’. O delegado dá a entender que pode haver outros envolvimentos, mas nega que um advogado da região, que seria acusado de outros crimes, tenha sido identificado como mandante da chacina.

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