Rubens Burigo Neto
De Curitiba
O advogado César Zerbini vai pedir hoje, em Curitiba, na Central de Inquéritos, o relaxamento do flagrante do advogado José Loures Ribeiro. Ele está preso desde sexta-feira, acusado de tráfico de influência e estelionato. Ana Luiza Carlini, advogada do chefe do posto de arrecadação e fiscalização do escritório local do Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS), Sandro Gomes Oliveira, que também está preso acusado de falsidade ideológica, vai pedir que seja arbitrada fiança para liberar seu cliente.
Os dois foram presos por policiais da Delegacia de Crimes Contra a Administração Pública. Ribeiro estaria recebendo propinas de empresas com dívidas no Instituto para, com a ajuda de Oliveira, liberar a Certidão Negativa de Débito (CND) – documento exigido para a participação em qualquer concorrência pública. Segundo o delegado Vinícius Martins, Oliveira seria o responsável por apagar o valor das dívidas dos computadores do INSS.
Zerbini negou que Ribeiro estava subornando empresas para facilitar a emissão de CNDs. ‘‘É tudo mentira da polícia. Ele estava apenas recebendo o dinheiro acertado pelo serviço de advocacia que prestou para aquela empresa’’, garantiu. Eles insistem em não divulgar o nome da empresa.
O advogado contou que Ribeiro – que trabalhou durante 19 anos no INSS – no momento da prisão também recebeu dinheiro para pagar parte do parcelamento da dívida da empresa (R$ 140 mil) com o INSS. ‘‘Qualquer pessoa pode dar entrada no processo para emissão dessas certidões negativas, mas esta empresa preferiu contratar o Ribeiro’’, afirmou.
A advogada de Sandro Gomes Oliveira disse que ele ‘‘está em estado de choque’’ desde o dia da prisão. Ana Luiza Carlini contou que Oliveira, por ser chefe do setor de arrecadação e fiscalização, não tinha acesso aos documentos exigidos para a emissão das CNDs. ‘‘O processo passava por outras pessoas antes de ele liberar a emissão da CND.’’
O delegado Martins informou que está à procura de uma pessoa chamada Ezequiel, que também faria parte do esquema. Martins disse que a partir de hoje funcionários do INSS devem ser chamados para prestar depoimento. A Folha não conseguiu contato com o INSS ontem.