Curitiba - Uma disputa interna por poder pode ter sido o estopim para a exoneração de seis funcionários do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) no Paraná, entre eles a gerente-executiva Laura Cristina Bianco da Costa, a segunda no comando do órgão no Estado. Os seis são acusados de envolvimento em uma suposta fraude à Previdência Social. Laura defende o grupo e atribui a culpa ao auditor fiscal Walter Otto Knelves. Já Knelves critica a administração que era feita por Laura.
A fraude seria reduzir ou eliminar dívidas de empresas, mediante pagamento de propina. Também haveria comercialização de Certidões Negativas de Débitos (CDN) falsas. Pelo menos dez grandes empresas no Paraná teriam sido beneficiadas no esquema, provocando um rombo de R$ 24 milhões. A PF estima que o prejuízo total possa chegar a R$ 168 milhões.
Essas denúncias teriam sido feitas por Knelves. ''Por determinação nossa ele está respondendo a inquéritos administrativos por emissão irregular de CDN's e por isso está tentando nos derrubar'', afirmou Laura. Ela falou em nome de todos os exonerados: Sérgio Gavassi Bilotta, João Elio Graciolli, Haroldo José Tosin, Edimar Rodrigues Shintcovsk e Mário Celso Freitas Rodrigues.
Walter Knelves nega ser o autor. ''Tenho outras reclamações contra Laura, mas não levantei as suspeitas desse caso.'' ''Todos os indícios foram levantados e comprovados pelo serviço de inteligência. Brasília não iria tomar essa decisão (exoneração) apenas por uma denúncia minha'', argumentou, dizendo que está sofrendo um procedimento administrativo há quase oito meses e até agora não há nenhuma prova contra ele.
Laura ressaltou que ninguém do grupo exonerado tem algo a esconder. Ela disse que atuava em funções apenas administrativas e não tinha acesso aos processos fiscais. ''Soubemos da exoneração pelo Diário Oficial. Nem o INSS nem o ministério nos informaram sobre as acusações'', reclamou.
Como são funcionários de carreira, os seis exonerados continuam no INSS até o fim das investigações. Laura está participando de uma seleção interna para o cargo de gerente-executivo. Ela foi nomeada no ano passado, pelo então ministro da Previdência, José Cechin. ''Eu estou indo muito bem e há pessoas que não estão gostando disso'', relatou Laura. O concurso dá maior transparência para a escolha do cargo.
Representantes do Ministério da Previdência estarão hoje em Curitiba para orientar a sindicância montada para investigar suspeitas de fraudes. A sindicância tem dois meses para apresentar o resultado da investigação.

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