Curitiba- Três funcionários do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) de Curitiba, acusados de supostos desvios de recursos dos cofres da Previdência, foram inocentados pela Corregedoria Geral do órgão. O processo administrativo disciplinar, instaurado em outubro do ano passado, será arquivado. Na Polícia Federal (PF) do Paraná, no entanto, as investigações prosseguem. O suposto rombo, segundo denúncias, chegaria a R$ 168 milhões.
Na época em que os fatos vieram à tona, houve denúncia contra outros oito servidores. O então ministro da Previdência, Ricardo Berzoini, decidiu pela exoneração dos funcionários de seus cargos de confiança. Seis deles ocupavam cargos de chefia, entre os quais estava a gerente-executiva Laura Cristina Bianco da Costa, o chefe da Divisão de Arrecadação, Sérgio Gavassi Bilotta e o chefe de Fiscalização, João Élio Graciolli, que acabaram respondendo, efetivamente, ao processo.
A assessoria de imprensa do INSS em Curitiba informou que a superintendência do órgão no Paraná recebeu ontem o parecer da Corregedoria Geral e que ainda não tem um posicionamento sobre como fica a situação dos funcionários. Durante a apuração das denúncias, os três voltaram aos seus cargos de origem. Laura é administradora da Previdência e Bilotta e Graciolli são auditores fiscais.
A expectativa do presidente do Sindicato dos Auditores Fiscais da Previdência Social do Paraná (Sinfispar), João Alfredo Franco Samways, é de que os servidores possam retomar seus cargos. Segundo ele, Berzoini havia se comprometido a rever as exonerações, caso não houvesse comprovação do envolvimento dos funcionários nas supostas fraudes. Samways disse que vai tentar contato com o atual ministro da Previdência, Amir Lando, para negociar a situação dos servidores.
O diretor jurídico do Sinfispar, Marcos Eduardo Rodrigues, garantiu que o sindicato irá dar apoio aos servidores caso haja interesse em mover ações judiciais por danos morais, o que só deve acontecer depois da conclusão do inquérito da PF. ''Como nada ficou evidenciado contra os funcionários, acredito que a Polícia Federal vá chegar a mesma conclusão da Corregedoria'', declarou.
O processo contra os servidores foi aberto depois que uma auditoria feita no INSS do Paraná teria constatado irregularidades na emissão de Certidões Negativas de Créditos (CDN's) e no tratamento dispensado a algumas empresas. Pelo pagamento a determinadas pessoas, as empresas poderiam comprar CDN's falsos, receber ''descontos'' ou zerar os valores devidos ao INSS. A auditoria teria apurado, ainda, que os funcionários extorquiam e ameaçavam os empresários que não participavam do esquema. O trabalho fez parte de uma força-tarefa da PF, Ministério Público Federal e Receita Federal.

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