São Paulo, 24 (AE) - Dois dos três suspeitos de estarem envolvidos com a venda de informações fiscais sigilosas da Receita Federal afirmaram hoje que o comerciante José Adriano Pires, de 55 anos, mantinha esses dados nos computadores de seu escritório. Pire negou a acusação e disse que só trabalha com mala-direta. Para a polícia, os suspeitos estão escondendo, "protegendo alguém".
Hoje, Pires e os dois outros suspeitos foram acareados. A polícia queria resolver contradições entre os depoimentos dos suspeitos, pois nenhuum deles admitiu ser a fonte dos dados de 17 milhões de contribuintes que estavam sendo vendidos por R$ 4 mil no mercado negro em São Paulo. A acareação começou as 17h30 e terminou as 17h55. "Para mim não resta a menor dúvida que eles estão protegendo alguém", disse o delegado Manoel Adamuz Neto, titular do 5.º Distrito Policial,responsável pela investigação do caso.
Agora, a polícia pretende esperar os dados que o Instituto de Criminalística (IC) de São Paulo fornecerá em seus laudos a partir do exame dos 77 CD-ROMs e seis computadores apreendidos. É nesse material que os policiais esperam encontrar a confirmação sobre a origem dos dados. Acareação - Na careação de hoje foram ouvidos o vendedor Jefferson Festa Perez, de 23 anos, o analista de sistemas Carlos Alberto Rodrigues da Silva, de 35, e o comerciante Pires. Todos estavam nervosos. Perez foi surpreendido pela polícia quando vendia um CD-ROM com informações fiscais que teriam saído da Receita e outros dois com informações do cadastro das empresas de telefonia fixa Telefônica, de São Paulo, e da Telemar-Rio.
De acordo com o delegado Adamuz Neto, a principal mudança com a acareação ocorreu no depoimento do vendedor Perez. Ele afirmou ter visto no computador de Pires um programa com dados fiscais semelhantes ao da Receita. Antes, Perez não havia citado Pires ao depor pela primeira vez no 5.º DP. Naquele depoimento, ele havia dito que obtivera o CD-ROM com dados fiscais com Rodrigues, que mora em Jundiaí. Este último disse que foi Perez quem lhe havia oferecido os disquetes com essas informações, além de tê-lo levado até ao antigo escritório do comerciante Pires, no Brooklin, onde viu num o programa com dados fiscais, como o rendimento bruto das pessoas, aberto na tela de um computador.
"Por que estão fazendo isso com a gente? Alguém vai ter de explicar", afirmou a mulher de Pires, Lourdes de Oliveira. Seu marido manteve a versão de que não estava vendendo informações da Receita. Disse também que foi procurado por Perez. "Ele estava atrás desse tipo de informação", disse. O advogado de Perez, Afonso Sportore, afirmou que seu cliente não ia manifestar-se. Já o advogado de Rodrigues Silva, Marco Aurélio Germano de Lemos, afirmou que seu cliente nunca vendeu ou comprou dados fiscais sigilosos. "Ele foi ao escritório do senhor Pires, mas, notando que o programa aparentava conter informações ilegais, ele não quis comprá-lo", disse.
Rodrigues Silva estava companhado por um amigo que o havia acompanhado ao escritório de Pires. "Essa pessoa confirmou a versão apresentada pelo Carlos (Rodrigues Silva)", disse o delegado do 5.º DP. Nenhum dos suspeitos foi preso porque, segundo a polícia, será preciso esperar a conclusão dos laudos do IC para comprovar que eles estavam vendendo programas das empresas de telefonia e da Receita a fim de poder acusá-los do crime contra a propriedade intelectual dos softwares.
O delegado reuniu-se hoje com o juiz João Carlos da Rocha Matos, da Justiça Federal, e com um procurador da República para informá-los sobre a apuração do 5.º DP. O delegado deverá enviar cópias do inquérito para a Justiça Federal sem que haja prejuízo para suas investigações

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