Brasília, 25 (AE) - Cerca de 30 policiais civis e militares do Acre poderão ser presos esta semana, com as investigações que a Polícia Federal (PF) está fazendo no Estado para tentar desbaratar o suposto esquadrão da morte que seria liderado pelo ex-deputado Hildebrando Pascoal. Hoje, 26 pessoas que foram presas temporariamente em Rio Branco, acusadas de manter ligação com o esquema de Pascoal, chegaram em Brasília, onde ficarão por aproximadamente 30 dias. No grupo, um irmão, um tio e um primo do ex-deputado, cassado na quarta-feira pela Câmara, e um irmão e um tio de seu suplente, José Aleksandro da Silva (PFL-AC), que assumiu sua vaga na Câmara sexta-feira.
Segundo o delegado Ari Régis, coordenador da Polícia Civil do Acre, possivelmente as investigações feitas pela PF poderão chegar a novos nomes com os depoimentos dos 26 presos. "Podem ser em torno de 20 policiais militares e entre cinco a dez policiais civis", afirma Régis. De acordo com delegado, alguns nomes constam da relação de 33 pessoas que a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Narcotráfico levantou para serem investigadas.
Praticamente todas as pessoas suspeitas de integrarem o grupo de Hildebrando Pascoal foram presas em Rio Branco, na semana passada, e removidas para Brasília, onde será aberto esta semana um inquérito paralelo para investigar a atuação de um esquadrão da morte e o narcotráfico no Acre. Entre eles estavam o tenente-dentista Pedro Pascoal Duarte Pinheiro Neto, irmão de Hildebrando, seu tio, Pedro Bandeira Paulino, e seu primo, Paulo Bandeira Bezerra, ambos da Polícia Civil.
Além deles, vieram Alexandre Alves da Silva, irmão do deputado José Aleksandro e seu tio, José Filho de Andrade, também policial civil e chefe da segurança da Câmara de Vereadores de Rio Branco. Andrade, que já foi condenado por tráfico de drogas, se apresentou à PF no Acre uma hora antes do embarque. No total foram presos dois majores da PM - Sebastião Mendes da Costa e Ferdinando Leopoldo de Holanda - quatro sargentos, um cabo e três soldados, além de dez policiais civis e quatro ex-policiais, além dos parentes de Aleksandro.
O avião Hércules C-130 da Força Aérea Brasileira (FAB) levou cinco horas de vôo entre Rio Branco e Brasília, numa viagem aparentemente tranquila, já que todos os presos estavam algemados. Os policiais civis separados dos militares, vieram escoltados por 12 policiais federais do Comando de Operações Táticas (COT) e pouco conversaram. Muitos, como o sargento Alex Fernandes Barros, considerado o braço direito de Hildebrando Pascoal, estava abatido. Na chegada ao hangar da PF, os presos foram colocados em filas duplas.
Os primeiros eram os parentes do deputado José Aleksandro, que procuravam esconder o rosto com um boné. Outros, não faziam questão de preservar a identidade, como Pedro Pascoal. Nenhum deles parecia esperar o forte aparato preparado pela PF. Além de 50 agentes do COT, da Divisão Aérea Operacional e da superintendência, foi usado até mesmo um helicóptero que acompanhou os dez carros da polícia até o Instituto Médico Legal (IML), onde foram fazer exame de corpo delito.
Até segunda-feira, os presos sem curso superior ficarão divididos em três celas na Superintendência da PF no Distrito Federal, enquanto que os oficiais serão colocados em uma cela especial. A PF teve que remover as demais pessoas que estavam presas na carceragem para uma única cela para abrigar os policiais.

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