Rio, 11 (AE) - A família do ex-vigilante da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) Argemiro Caetano da Costa, apontada por relatório da Procuradoria Geral de Justiça como responsável por diversos crimes no campus, na Ilha do Fundão (zona norte), disse hoje que vai processar o Estado por calúnia. Argemiro, de 64 anos, e sua mulher, Dagmar Souza da Costa, de 51 anos, moram na Vila Universitária - um conjunto de casas destinadas a servidores da Universidade - e são citados no relatório como líderes de uma quadrilha que vem assustando alunos e funcionários.
Os dois negam as acusações, mas admitem que um de seus sete filhos, Eduardo Caetano da Costa, de 25 anos, já participou de roubos de automóveis.
"Nós estamos envergonhados pelo nosso filho ter se metido com os bandidos da vila, mas não admitimos ver nossos nomes envolvidos com crimes", disse Dagmar, que há três meses obrigou o filho Eduardo a ir para o Nordeste, "para não mais vê-lo fazer coisas erradas". Ele foi preso duas vezes. Em 93, por assalto a banco, e, em 98, por roubo de carros. Na Vila, moram cerca de 1.300 pessoas em 316 casas, construídas para abrigar funcionários ativos e inativos da UFRJ.
Segundo Dagmar, o filho jamais se envolveu com drogas e foi levado "para o mau caminho" por vizinhos, que seriam os responsáveis pela difamação da família. Dagmar disse que o bando chefiado por um rapaz conhecido como Jacaré, assassinado em um acerto de contas, teria se irritado com o fato de Eduardo ter ido para o Nordeste (e assim parado de trabalhar para ele) e, por isso, teria resolvido acusar a família de Eduardo de praticar crimes como agiotagem, assaltos, roubos de carros, tráfico de drogas e assassinatos."Isso parece piada, todo mundo aqui sabe que nós somos pessoas simples e honestas; qualquer um pode vasculhar minha casa e minhas contas, e ver que tudo aqui foi comprado, e não roubado", disse Argemiro, revoltado.
O reitor da UFRJ, José Vilhena, disse que a reitoria não foi notificada sobre problemas de violência no campus. "O papel da gente é educar, e não investigar; isso é com a polícia". O prefeito do campus, Ivan Pereira de Abreu, explicou que o policiamento nas dependências da Cidade Universitária é feito por 275 vigilantes - sete deles motorizados -, que, por não ter poder de polícia, notificam quaisquer problemas à Polícia Militar.Abreu também desconhece a existência de crimes dentro da UFRJ.
"Durante o primeiro semestre, nossos vigilantes registraram apenas casos de colisões leves entre carros; nada de roubos ou assassinatos", contou o prefeito. "Acredito que até haja alguns casos isolados, mas, dadas as dimensões da Universidade (5 milhões de metros quadrados) e o número de pessoas que se circulam por aqui, isso é não chega a ser anormal", continuou.
O relatório, feito pelo coronel Valmir Alves Brum, da Procuradoria Geral da Justiça, foi encaminhado à 37ª Delegacia Policial (Ilha do Governador). De acordo com o documento, oito moradores da Vila já foram assassinados em acertos de contas entre bandidos. A polícia disse que dois dos chefes da quadrilha trabalham para o tráfico de drogas de duas favelas, uma na Ilha do Governador e outra no Estácio, ambos na zona norte.

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