Acusados da morte de índio devem passar por exames
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terça-feira, 27 de maio de 1997
Agência Folha 
BRASÍLIA - Os advogados de três dos quatro rapazes maiores de idade acusados do assassinato do índio pataxó Galdino Jesus dos Santos pediram ontem ao Tribunal do Júri do Distrito Federal a realização de exame de sanidade mental dos seus clientes. O pedido, se aceito, vai retardar o julgamento por alguns meses. O advogado Raul Livino, que defende dois acusados, afirmou ontem que não pretende, com o pedido de exame, dizer que seus clientes são doentes mentais. Ele disse que quer medir o grau de influência da sociedade em determinados comportamentos.
Na semana passada, três dos acusados disseram durante interrogatório feito pela juíza Leila Cury que tiveram a idéia de dar o susto em uma pessoa dormindo na rua enquanto conversavam sobre pegadinhas da TV. Há desrespeito constante à pessoa e aos valores tradicionais, enfatizado principalmente pela TV. Os rapazes buscaram a imitação de um quadro televisivo visto antes, afirmou Livino. Segundo o advogado, a intenção do exame é analisar a neutralização, com o comportamento grupal, de valores individuais existentes em cada adolescente.
Se forem considerados doentes mentais, os acusados serão inimputáveis (não podem ser condenados). Nesse caso, serão internados em manicômio judiciário por período indeterminado - até a alta. Se for considerado que estavam inconscientes dos seus atos, isso pode ser considerado uma circunstância atenuante, o que reduz a pena, que é de até 30 anos de prisão por homicídio qualificado.
A decisão sobre o exame de sanidade será tomada pela juíza Leila Cury, que pediu parecer à promotora Maria José de Souza Pereira.


