Curitiba- Quatro dos seis acusados de participação numa suposta quadrilha que teria movimentado milhões de reais em precatórios trabalhistas devidos pelo governo do Estado a funcionários públicos foram soltos ontem. O advogado Messias Alves de Assis (que atuava na defesa de Carlos Alberto Pereira, advogado da área previdenciária acusado de ser o líder da quadrilha), os empresários Olorbi dos Santos Pinheiro e José da Silva (que seriam laranjas, cedendo seus nomes para atuação de uma empresa que comprava precatórios), e a secretária Joana Anelise Ludwig, foram soltos depois de permanecerem por dez dias presos.
A prisão temporária foi pedida pelo Núcleo de Repressão a Crimes Econômicos (Nurce) para averiguação das denúncias apuradas no inquérito que investiga a chamada ''Máfia dos Precatórios''. Ao todo, cerca de R$ 100 milhões teriam sido pagos indevidamente pelo governo do Estado para quadrilhas que não repassariam os valores devidos aos funcionários públicos, pensionistas ou herdeiros.
Apenas está presa a secretária Dirce dos Santos Ferreira, que negou ter conhecimento do funcionamento do esquema e disse que estava na empresa de Pereira há um mês. Entretanto, gravações telefônicas demonstram que ela já fazia parte do escritório há quatro anos. ''Estamos checando as contradições, mas todos serão denunciados, com certeza'', disse ontem o delegado Sérgio Inácio Sirino, do Nurce.
Foram pedidas as quebras dos sigilos telefônico, fiscal e bancários dos investigados que estão sendo indiciados em inquérito e deverão responder por desvio de recursos públicos, apropriação indébita e formação de quadrilha. O advogado Pereira permanece foragido há 12 dias e teve a autorização para trabalhar como advogado suspensa preventivamente desde o dia 5 de julho.

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