Acusado paraguaio pode estar no Brasil
Assunção, 11 (AE-ANSA) - Um parlamentar paraguaio, Blas Brizuela, afirmou nesta terça-feira (11) que o embaixador do Brasil no Paraguai, Bernardo Pericás, confirmou a informação segundo a qual o deputado Conrado Pappalardo, procurado pela Justiça do Paraguai, está no Brasil.
Ele é um dos principais acusados de ter planejado o assassinato do vice-presidente paraguaio, Luis María Argaña, e pode estar escondido num apartamento no Rio de Janeiro à espera da concessão asilo político do Brasil.
O comandante da polícia paraguaia, Roberto Guillén, porém, foi mais cauteloso ao fazer comentários sobre o paradeiro de Pappalardo. "As primeiras informações que recebemos de nosso serviço de inteligência são de que Pappalardo estaria no Brasil, mas não temos como confirmar isso plenamente.
De acordo com nossas fontes, ele partiu na semana passada, por terra, em direção a Ponta Porã (Mato Grosso do Sul)."
Pouco antes de Brizuela tê-lo visitado, com uma delegação de parlamentares, Pericás tinha-se recusado a confirmar a presença de Pappalardo no Brasil, mas não a desmentiu.
Pappalardo, de 63 anos, é um dos principais representantes da facção do governista Partido Colorado liderada pelo general da reserva Lino Oviedo, asilado na Argentina. Apesar de ter imunidade judicial, o deputado estava proibido de deixar o país sem autorização do Congresso.
Argaña, inimigo político de Oviedo, foi morto por pistoleiros em 23 de março numa rua de Assunção, no episódio que abriu a crise política encerrada com a renúncia do presidente, também oviedista, Raúl Cubas. Depois de se demitir, Cubas asilou-se no Brasil e vive em um apartamento de sua propriedade em Camboriú, Santa Catarina.
Pappalardo acusou o novo governo paraguaio, de Luis González Macchi, de empreender uma "caça às bruxas" contra os seguidores de Oviedo.
Na semana passada, o ministro do Interior paraguaio, Walter Bower, identificou três pessoas, todas ligadas a Oviedo, como os autores materiais do assassinato de Argaña. Pappalardo, além do próprio Oviedo, foi citado pelo ministro como um dos articuladores da conspiração para matar o vice-presidente.
A concessão de asilo político a oviedistas por Argentina, Brasil e Uruguai provocou tensões nos últimos dias entre Assunção e seus três sócios no Mercosul. Na segunda-feira, um juiz argentino rechaçou uma ordem de prisão emitida pela Justiça paraguaia contra Oviedo.





