Acusado nega ter decapitado menor na Febem
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segunda-feira, 29 de novembro de 1999
Por Gabriela Carelli 
São Paulo, 29 (AE) - Acusado de ter decapitado um interno da Febem durante rebelião entre 24 e 25 de outubro no Complexo Imigrantes, Fábio Antônio de Castro, de 18 anos, o Mãozinha, negou o crime hoje durante audiência no 1.º Tribunal do Júri. Em 29 de outubro, Castro confessara ter decepado a cabeça e a perna do menor - ainda não identificado pela Febem - a golpes de machadinha, depois de ter ateado fogo a seu corpo.
Castro disse ao juiz-presidente do Tribunal do Júri, José Ruy Borges Pereira, que na hora do crime havia sido removido para o 3.º Batalhão da Polícia Militar, perto do complexo. "Quando voltei, o corpo não estava mais lá", contou. "Os policiais me obrigaram a confessar o crime por ser o único maior de idade; se não dissesse ter sido eu, o policial daria um sumiço no meu corpo."
Foto - Castro citou uma fotografia publicada na revista Veja, na qual um menor segura uma machadinha. "Dá para ver na foto que a mão que segura tem cinco dedos e a minha tem quatro"
disse, mostrando a mão direita sem o mindinho - que perdeu, junto com a mão esquerda, numa explosão de rojão. Ele negou conhecer Satanás, de 17 anos, outro acusado de ter participado da execução.
O juiz requereu as fotos, que devem ser analisadas, e detalhes da suposta transferência para o batalhão. Também foi pedido exame de corpo de delito, porque Castro alegou ainda ter marcas de um espancamento cujos autores teriam sido policiais da Tropa de Choque.
Castro pode ser condenado a até 30 anos de prisão por homicídio triplamente qualificado. Também pode pegar até 8 anos por sequestro e cárcere privado e até 2 anos por empregar meio cruel. Ele está detido no 29.º Distrito, Vila Diva, onde se encontram também o ex-vereador Vicente Viscome e o estudante Mateus da Costa Meira.


