Acusado nega crime no Morro do Boi
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quinta-feira, 16 de julho de 2009
Diego Ribeiro<BR> Equipe da Folha 
Curitiba - Sou vítima como ela. A frase de Juarez Ferreira Pinto, 42 anos, foi dita após audiência na Vara de Precatória Criminal na tarde de ontem, em Curitiba. Ferreira é acusado de matar a tiros, no dia 31 de janeiro, em Matinhos, o estudante Osíris Del Corso, 22 anos, e ferir a namorada dele, Monik Pergorari de Lima, 24, a quem se referiu na frase acima. Monik o acusa de ser o assassino mesmo depois de Paulo Delci Unfried ter sido preso e confessado o crime, no final do mês passado.
Com ferimentos na boca, que seriam fruto de uma briga entre presos na Casa de Custódia de Curitiba, Ferreira falou com a imprensa péla primeira vez desde sua prisão e afirmou não ser o autor do crime. Eu acho que a Monik não assume porque ela tem medo de processo. Fiquei com dó dela. Não tenho raiva dela. Pedi para o advogado não processá-la, salientou. Na opinião dele, Monik fica nervosa quando o vê porque ela reconheceria o erro em acusá-lo.
De acordo com Ferreira, o delegado Luis Alberto Cartaxo de Moura, que presidiu o inquérito policial, afirmou que ele não era o autor do crime. No começo (da investigação), o doutor Cartaxo disse: Não tem nada a ver com você. A hora que eu tava saindo, um policial falou: Você teve sorte. Então, eu falei que não era sorte porque não tinha sido eu que fiz aquilo, contou.
Na tarde de ontem quatro pessoas foram ouvidas. A médica-socorrista do Serviço Integrado de Atendimento ao Trauma em Emergência (Siate) Luciane Bittencourt Oliveira, o tenente do Corpo de Bombeiros Eduardo Slomp Aguiar e um estudante de Direito, Carlos André Carneiro, além de um jornalista que cobriu o caso. Três pessoas que seriam ouvidas foram dispensadas e outras duas não compareceram.
A médica e o tenente disseram que ouviram de Monik que havia sido estuprada. Os dois foram responsáveis pelos primeiros atendimentos no dia do resgate da jovem. Ela relatou que ela e o namorado entraram na trilha e já foram abordados e o suspeito os levou direto para a gruta. Ela também falou que, posteriormente, por volta das nove da noite, o agressor teria voltado e a estuprado, comentou Aguiar. Carneiro disse que descia o Morro do Boi quando um homem suspeito subia com uma lanterna, no mesmo horário que o autor do crime retornou à cena, mas a testemunha disse não conseguir dizer se era Ferreira.
Luciane disse que Monik também não tinha comentado que havia sido roubada. Durante o inquérito, a polícia informou que foram levados R$ 90. Enquanto o crime era investigado, Monik informou que não havia sido estuprada, voltando atrás no que disse.
O pai de Monik, Lourival Pergorari, falou à reportagem que a filha mantém tudo que tem dito. Arrumaram um cara para assumir o crime. Minha filha não tem dúvida. É o Ferreira, afirmou.
Em duas semanas, os desembargadores da 3ªCâmara Criminal do Tribunal de Justiça do Paraná julgarão o pedido de habeas corpus de Ferreira. Antes disso, Unfried deve ficar cara a cara com Monik em nova audiência, em Matinhos, no próximo dia 23.


