RIO - O traficante José da Silva Pereira, o Doda, de 37 anos, foi preso ontem por uma equipe da Polícia Civil no sítio de sua ex-mulher, em Teresópolis, na região serrana do Rio. Doda é acusado de ter sido um dos mentores do sequestro do pai do jogador Romário, Edevair Farias, em maio de 1994. O criminoso já está condenado a 20 anos por sua participação em outro sequestro, o do empresário Joaquim da Cunha Santos. Doda era o chefe do tráfico de drogas no complexo do Caju, zona norte da cidade.
Sua prisão aconteceu após investigação de 45 dias de uma equipe da Metropol XII - Polícia Civil de Niterói. Ontem, antes de o dia amanhecer, policiais entraram no sítio em que Doda costumava ir para visitar seus dois filhos, de 10 e 16 anos. Eles pularam a cerca de arame farpado, driblaram a fúria de dois cães de raça e se abrigaram num matagal próximo à porta do casarão construído por Doda nos últimos anos. Os policiais sabiam que o traficante tinha o hábito de caminhar entre 6 horas e 7 horas. Ele foi pego de surpresa no momento em que calçava seu par de botas, sentado na varanda do casarão. ‘‘Não atirem, eu me entrego’’, teria dito Doda, de acordo com o relato de um policial da Metropol XII.
Doda foi levado para a sede da Metropol XII, de onde seguiu para a Divisão Anti-Sequestro e, depois, para o presídio de segurança máxima Bangu 1. Ele negou seu envolvimento no sequestro de Edevair Farias, mas não convenceu a polícia. ‘‘Teve participação direta no sequestro do pai de Romário e era um homicida’’, afirmou o delegado da Metropol XII, Eide Trindade de Lima.
O juiz Luiz Carlos Peçanha, da 20ª Vara Criminal, chegou a outra conclusão ao ditar a sentença de 20 anos pelo sequestro de Joaquim da Cunha. A polícia provou, na época, que Doda tinha fornecido armas para os outros quatro sequestradores de Joaquim - já presos - e alugado uma casa que serviria de cativeiro para o empresário.

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