Acusado pela Polícia Civil do Rio de atuar em uma rede de exploração sexual de menores, o diplomata Arie Scher, um dos cônsules de Israel no Rio, deixou o Brasil escondido no início da tarde de ontem, quando era procurado por policiais. Scher viajou para Buenos Aires no vôo 1416, da empresa Aerolíneas Argentinas, que partiu às 13 horas do aeroporto Internacional do Rio.
O diplomata não teve problemas para viajar. O delegado do Rio, Ícaro da Silva, responsável pelas investigações, não pediu à Justiça que decretasse a prisão preventiva do cônsul e nem acionou a PF (Polícia Federal) para impedir a viagem. ‘‘Achava que ele iria se entregar ou então que nós conseguiríamos trazê-lo à delegacia para prestar depoimento e, então, o prenderíamos. Para mim, ele é um fugitivo, um foragido, pois escapou da busca policial’’, disse o delegado, logo após saber que Scher escapara.
Mesmo com o cônsul fora do país - estaria já em Israel, segundo a embaixada israelense - o delegado acha que ainda poderá prendê-lo. Ontem à tarde, ele pediu à Justiça que determine a prisão preventiva do diplomata. Se aceito pela Justiça, o delegado falou que vai acionar a Interpol para que procure Scher no exterior. ‘‘Não acredito que Israel vá extraditá-lo, pois o Brasil também não extradita brasileiros. Mas, se ele deixar Israel, poderá ser preso pela Interpol’’, afirmou.
O inquérito, de acordo com Silva, resultará no indiciamento do cônsul no artigo 241 do Estatuto da Criança e do Adolescente, que prevê pena de um ano a quatro anos de prisão para quem participa da exposição de menores de 18 anos a cenas pornográficas.
Suposto parceiro do diplomata em uma rede de exploração de menores, o professor Georges Schteinberg, preso desde a noite de segunda-feira, será indiciado no artigo 244 do estatuto, segundo o delegado. O artigo prevê pena de quatro anos a oito anos de prisão a quem tenha participado da exploração e prostituição de menores de idade.
Duas testemunhas acusaram em depoimentos policiais o professor e o cônsul. Anteontem, R., 17, disse que era fotografada e filmada nua, além de praticar relações sexuais com israelenses arregimentados pelo professor. O segundo depoimento é o de V., 13, grávida há quatro meses. Ela contou que foi fotografada e filmada pela professor. V. disse que o diplomata também participava das filmagens.

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