O advogado José Alves de Brito Filho foi preso ontem após três meses de fuga. Brito Filho é acusado de ser o elo entre os funcionários que faziam processos ‘‘sumirem’’ dos fóruns paulistas e os interessados no desaparecimento dos papéis.
Ele está sendo investigado pela polícia e pelo Tribunal de Justiça de São Paulo. Na polícia, pelo desaparecimento dos processos. No tribunal, pelo suposto envolvimento de dois juízes, David da Costa Ferreira e Sérgio Ribas, com a ‘‘máfia dos fóruns’’, como o grupo ficou conhecido.
Ferreira e Ribas negam-se a falar com a imprensa. Dizem que só podem dar entrevistas com autorização por escrito do corregedor-geral de Justiça, desembargador Luís de Macedo. O desembargador, por sua vez, afirma que não cabe a ele dar a permissão.
Brito Filho estava foragido desde julho, quando seis funcionários dos fóruns João Mendes e Barra Funda foram presos em uma falsa operação de compra de processo liderada pelo delegado Luiz Antônio Rebello, da Corregedoria da Polícia Civil, que investiga o caso.
Flagrados, os funcionários levaram a polícia até um escritório onde Brito Filho receberia os processos furtados. No local, os policiais apreenderam agendas do advogado em que constavam nomes e números particulares de telefones dos funcionários que faziam o ‘‘sumiço’’ e processos.
Os funcionários estão presos, respondendo a processo junto à 2ª Vara Criminal da capital.
No bolso de um dos detidos, a polícia encontrou uma lista com números de vários processos que desapareceram, inclusive um da 14ª Vara Cível em que Brito Filho figurava como réu.
Ontem, depois de preso, o advogado foi levado imediatamente para o 13º Distrito Policial (Casa Verde), onde foi interrogado por Rebello. A reportagem apurou que Brito Filho se negou a responder às perguntas do delegado, ora usando o direito constitucional de permanecer calado, ora dizendo não saber responder.
Depois, foi levado ao tribunal. Ao ser interrogado pelo desembargador Macedo, Brito Filho negou qualquer tipo de envolvimento com os funcionários ou com os juízes. Sobre os juízes, disse conhecê-los superficialmente, em razão de sua atividade.
O desembargador Macedo afirmou que as negativas de autoria ou participação na ilegalidade não livram Brito Filho de um possível indiciamento no caso.
Um dos principais documentos que ligam o advogado aos juízes é uma autorização de resgate de depósito judicial, assinado pelo juiz Ribas, que permitiu a Brito Filho levantar pouco mais de R$ 1 milhão do Banespa.
O documento, revelado pela reportagem, mostra que o advogado sacou dinheiro de uma conta judicial sem que fosse representante de uma das partes interessadas, o Banespa e o ex-funcionário do banco Carlos Alberto Pezzi.
Pezzi foi processado pelo Banespa por apropriação indébita. Na polícia, disse que não conhecia Brito Filho, que nunca assinara procuração em favor do advogado e que não recebera dinheiro do processo. Depois, sumiu.
Questionado sobre o documento, Brito Filho nada falou à polícia, mas disse no tribunal que o saque foi autorizado pelo juiz.

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