Acusado de mortes em hospital do Rio nega crimes
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terça-feira, 15 de junho de 1999
Por Roberta Pennafort, especial para a AE 
Rio, 16 (AE) - O auxiliar de enfermagem Edson Izidoro Guimarães, acusado de matar quatro pacientes no Hospital Municipal Salgado Filho, negou, hoje de manhã, ter provocado as mortes, durante depoimento à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI), da Câmara dos Vereadores do Rio, que investiga a "máfia das funerárias" no município. Segundo o presidente da comissão, o vereador João Cabral (PL), Guimarães voltou a negar qualquer envolvimento nas mortes, admitiu que indicava funerárias às famílias dos pacientes mortos, "mas sem ganhar nada". Guimarães alegou ter confessado as mortes porque teria sido espancado pelos policiais que foram ao Salgado Filho prendê-lo.
Disse, ainda, que indicava a funerária Novo Mundo aos parentes dos pacientes porque ela pertence a um amigo seu. No entanto, negou que recebesse comissão pela indicação, alegando que "fazia tudo por amizade". O acusado informou à comissão que conseguia descontos para as famílias junto às funerárias.
A CPI, que terá 120 dias para apresentar o relatório final, pretende ouvir também o diretor do Hospital Salgado Filho
o funcionário responsável pelo necrotério do hospital e a auxiliar de serviços gerais Cátia Rodrigues Honório da Silva, que suspeitou do comportamento de Guimarães em seus plantões. Na época da prisão do acusado, ela disse que estranhava o fato de os pacientes morrerem após receberem injeções dadas pelo auxiliar de enfermagem. Funerárias - A comissão pretende investigar todas as agências funerárias do município para descobrir se há irregularidades como as que foram verificadas no Salgado Filho. De acordo com o que já foi apurado pela CPI, uma funerária mantinha uma sala no hospital, o que é proibido, e outras duas agiam livremente, porém sem instalações.
Guimarães, que chegou a confessar ter praticado duas mortes em um programa de televisão, mudou sua versão quando depôs na Justiça. Assim que foi preso, ele disse que matava os pacientes para "aliviar sua dor". Já em seu depoimento à Justiça, alegou ter sido coagido a confessar algo que não havia feito por policiais da Delegacia de Homicídios, que o teriam espancado.


