Acusado de matar Sabóia diz que os dois brigaram no hotel
São Paulo, 25 (AE) - O gaúcho Márcio Fonseca Scherer, de 27 anos, acusado de matar o antiquário paraense João Sabóia, de 56 anos, no Hotel Waldorf-Astoria, em Nova York, no dia 12, confirmou hoje, em entrevista ao Jornal Nacional, que estava hospedado com ele no quarto 2.716 e os dois se desentenderam.
Ele não quis, no entanto, revelar o motivo: "Não vou declarar nada do que ocorreu naquele dia." A entrevista foi concedida em uma casa de madeira, às 5 horas, no interior do Rio Grande do Sul, segundo a TV Globo.
Ele não quis dizer se realmente matou Sabóia, alegando que só falaria em juízo, "no momento adequado". "Não sou um assassino; nunca tive nenhum problema com nenhuma espécie de polícia", declarou. Disse que atualmente é artista plástico, mas atua também como garoto de programa e chegou a oferecer seus serviços em anúncios de jornais. "Mas é uma coisa muito esporádica, muito eventualmente."
O antiquário, que chegou aos Estados Unidos no dia 6, foi assassinado a facadas. O crime foi descoberto pela segurança do hotel, às 17h30 de sábado, alertada por amigos que foram a seu quarto buscá-lo para ver a luta de boxe entre Evander Holyfield e Lennox Lewis. As câmeras do hotel registram a imagem de Scherer saindo do quarto, com uma sacola na mão. Segundo a polícia de Nova York, ele teria levado da vítima um Rolex de ouro e cerca de 20 mil dólares. Sabóia apresentou Scherer como seu sobrinho no hotel.
Segundo Scherer, eles se conheceram pouco tempo antes da viagem aos Estados Unidos, em fevereiro, no Rio. Ele negou que, inicialmente, Sabóia fosse um cliente. "Ele me deu um auxílio para eu sair do Rio com tranquilidade." Afirmou que, durante a estada dos dois nos EUA, percebeu que Sabóia sentia uma espécie de um ciúme e o definiu como possessivo. "Fomos para Atlantic City e ficamos no mesmo quarto, mas em camas separadas."
O antiquário costumava frequentar cassinos de Atlantic City, onde teve início a viagem. Uma semana depois, os dois foram para Nova York.
Na noite em que o crime foi descoberto, Scherer voltou para o Rio. "Saí do quarto completamente transtornado, apavorado e queria deixar aquele país." Scherer disse que pretendia entregar-se.
Na segunda-feira, o governo brasileiro anunciou que iria solicitar a prisão de Scherer assim que recebesse o pedido oficial da Embaixada dos EUA, em Brasília.





