Curitiba- O Tribunal do Júri de Loanda (102 km a oeste de Paranavaí) absolveu anteontem à noite, por unanimidade, José Luís Carneiro, de 58 anos, acusado de matar o líder sem-terra da região noroeste Sebastião da Maia, em novembro de 2000. A morte, por tiro na cabeça, aconteceu logo depois da invasão da Fazenda Água da Prata, em Querência do Norte. O júri foi presidido pela juíza Elizabeth Khater. Foi o primeiro julgamento envolvendo questão agrária no Paraná.
A defesa anunciou que recorrerá da decisão, alegando que ela foi contrária às provas e teve vícios, como a apresentação de uma testemunha que não estava arrolada no processo. A principal testemunha de acusação, o sem-terra Pedro Carvalho, que também recebeu um tiro de raspão na cabeça, garantiu que o crime foi cometido por Carneiro. No entanto, a defesa sustentou que, no primeiro depoimento à Polícia Federal, ele teria dito não ter condições de fazer o reconhecimento.
A testemunha de defesa José Ferreira foi apresentada no dia do julgamento e aceita pela juíza. Segundo o advogado de defesa Roberto Yamaguro, Ferreira fazia parte do Movimento dos Sem-Terra (MST) e presenciou o tiroteio. Ao ser indagado se Carneiro estava presente, ele negou. ''Nos autos só há resquícios de indício (da culpabilidade de Carneiro)'', afirmou Yamaguro. Ferreira depôs e foi detido por estar com mandado de prisão, em razão de não pagar pensão alimentícia. Logo depois foi solto em função da lei eleitoral.
A defesa contesta a aceitação dessa testemunha pela juíza.

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