Acusado de matar filhos em Ourinhos pede para morrer
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quinta-feira, 02 de julho de 1998
Montezuma Cruz Especial para AE 
O motorista desempregado Arnaldo Portilho Bloch, 38 anos, que na tarde de terça-feira, matou os filhos Amanda, de 3 anos, André Luíz, de 2, e Arnaldo José, de 6 meses, pediu, ontem, para morrer, durante entrevista na Cadeia Pública de Ourinhos (SP), onde está preso. Ele alternou frieza e emoção ao contar detalhes do crime. Durante todo o tempo procurou desviar do assunto. Eu não posso mais viver, abro os olhos e vejo os meus filhos brincando, eu nunca fui ruim para eles, comprei tudo o que precisavam, até nas horas de dificuldade. Eu os amava com a maior força do mundo.
Bloch acusa os parentes de Rosângela, de 28 anos, com quem vivia há seis anos, de serem os motivos da desgraça. Diz que eles encobriram os casos amorosos dela na cidade e em Jacarezinho (PR). Lembrou que problemas com a primeira mulher, Guaraciema Lombardi Bloch, mas confessou amar verdadeiramente a atual.
A família do acusado admitiu ter ficado estarrecida com o ritual usado por Bloch para matar as crianças. Ele acendeu quatro velas e disse que uma era para Rosângela, de quem suportei várias traições. O criminoso não conseguiu explicar a razão das outras três velas.
O diretor clínico do Hospital de Saúde Mental de Ourinhos, psiquiatra Nelson Barbosa, afirmou jamais ter visto um caso semelhante. O comportamento dele causa estupor por envolver crianças tão novas e por ele ser considerado reconhecidamente um bom pai. A hipótese dele estar drogado não convence o médico. O uso contínuo e prolongado de drogas tem a capacidade de deformar e alterar o caráter da pessoa; ela perde valores éticos, mas não seria a droga em si a responsável.


