Acusado de matar filho fica em liberdade
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sexta-feira, 18 de abril de 2003
Agência Estado 
Rio - O advogado Paulo César da Silva, de 62 anos, que na noite de quinta-feira matou o filho, Paulo Eduardo, de 28 anos, com quatro tiros, na Ilha do Governador, zona norte do Rio, vai responder ao crime em liberdade porque, segundo a polícia, se apresentou de forma espontânea. Ele disse à polícia que agiu em legítima defesa porque o filho pretendia matar a mãe, Ângela Olinda da Silva, de 54 anos.
Segundo Silva, Eduardo era dependente químico e estava transtornado. Segundo o pai, ele queria vender a televisão para comprar drogas. A delegada Liliane Santos da Silva, da 37 Delegacia Policial, disse que nada impede que Silva seja condenado. ''Paulo César matou, assumiu e vai ser responsabilizado judicialmente.'' Segundo vizinhos, Eduardo era muito agressivo e vivia espancando seus pais, principalmente quando usava drogas. Seu pai contou que ele estava desempregado desde dezembro e usava entorpecentes desde os 15 anos.
O crime ocorreu por volta das 18 horas. Segundo a polícia, Eduardo chegara em casa drogado e tentou levar a televisão para trocar por cocaína. O pai tentou impedir e a discussão começou. A mãe de Eduardo ficou assustada com a briga e foi pedir ajuda aos vizinhos. Eduardo, então, tentou agredi-la. Paulo César pegou o revólver calibre 38, que era do filho, e atirou no rapaz. Os vizinhos chamaram a polícia.
Os policiais encontraram o corpo de Paulo Eduardo caído na varanda da residência. O pai, segundo testemunhas, só gritava e pedia para que o ajudassem a socorrer o filho. Ao sair da delegacia, Ângela explicou que tanto ela quanto o marido fizeram de tudo para salvar o filho.''Gastamos muito dinheiro com ele, mas não adiantou. Ele não conseguiu largar o vício'', disse. Bastante emocionada no velório do filho, Angela deixou uma mensagem para as famílias que têm problemas com parentes drogados. ''Temos que cuidar dos nossos filhos com muito amor. Ele sempre teve muito amor, de mim, da minha família, dos amigos. Nós não podemos discriminar, não é uma doença e tem que ser tratada com amor e carinho. Porque se a gente dá isso tudo e essas coisas acontecem, imagine se não cuidar. Nunca joguei meu filho na rua, sempre cuidei dele com amor e carinho'', disse. O corpo de Paulo Eduardo foi enterrado ontem.
Em 1º de Janeiro, no mesmo bairro, o adolescente A.F.C.M., de 16 anos, amigo de Eduardo, assassinou a avó, Iara Filgueiras, depois de consumir grande quantidade de cocaína. Ele havia espancado a mãe e roubado eletrodomésticos da casa da avó antes do crime para conseguir comprar drogas. Parentes contaram que temiam pela tragédia, já que o rapaz costumava ser agressivo e roubar a família para se drogar.


