Acusado de matar delegado da PF nega participação no crime e diz ter confessado com medo de ser torturado
Acusado de matar delegado da PF nega participação no crime e diz ter confessado com medo de ser torturado14/Mar, 20:23 Por Mauro Carvalho São Paulo, 14 (AE) - O ajudante de pizzaria Gildásio Teixeira Roma, de 27 anos, acusado de ser um dos assassinos do delegado-corregedor da Polícia Federal (PF), Alcione Serafim de Santana, negou hoje, no início de seu julgamento, participação no crime. Durante o interrogatório, Roma disse ao juiz Marco Aurélio de Mello Castriani, que confessou o assassinato com medo de ser torturado na PF. O ajudante está sendo julgado pelo Tribunal do Júri Federal, em São Paulo. O júri deve terminar amanhã (15). A previsão era de que o julgamento, iniciado às 9 horas, fosse suspenso às 23 horas. Se for condenado, Roma pode pegar de 12 a 30 anos de prisão.Cinco mulheres e dois homens compõem o corpo de jurados. O caso está sendo julgado por um júri federal porque o delegado-corregedor foi morto em morto em razão das funções do trabalho que exercia. Santana foi assassinado em maio de 1998. Há 30 anos não ocorria um julgamento do Tribunal do Júri federal no Estado de São Paulo. Em 1970 ocorreu o último e referia-se ao homicídio de um fiscal do Trabalho na cidade de Maracaí. Confissão - A versão apresentada pelo acusado para ter confessado participação no crime mostrou-se inverídica quando três fitas de vídeo, gravadas durante o interrogatório na PF foram exibidas aos jurados. Em seu depoimento à polícia, Roma contou com muitos detalhes e tranquilidade como praticou o crime. Revelou até que colocou o despertador para acordá-lo às 5h30 do dia 27 de maio de 1998, para não perder a hora como havia ocorrido no dia anterior. Contou que ao ser contratado disse que nunca tinha matado ninguém, mas que ia ver o que podia fazer pois estava precisando de dinheiro. Ele foi contratado pelo comerciante Carlos Alberto da Silva Gomes, o "Carlinhos", dono de uma pizzaria por R$ 5 mil, mas só recebeu R$ 2.500,00. Crime - Santana foi morto por volta das 6h30 na Rua Chico Herrera, em frente ao número 50, residência da vítima na Vila Mazzei, zona norte de São Paulo, quando fechava o portão da garagem. Roma é acusado de haver feito dois disparos contra o delegado federal. "De forma súbita, de arma em punho e sem nada a dizer". Um dos primeiros disparos atingiu o peito de Santana e o segundo o derrubou no chão. Gomes, que vinha atrás, fez mais dois disparos com a vítima já no chão. Santana teria sido assassinado a mando do ex-delegado federal Carlos Leonel da Silva Cruz, que era investigado por corrupção. Além de Cruz vão ser julgados pelo Tribunal do Júri Federal, Gildenor Alves de Oliveira, acusado de ser um dos intermediários, o ex-sargento da Polícia Militar, Sérgio Bueno, outro intermediário. Todos estão presos desde a época do fato. Apenas Carlos Chances Baena, investigador da Policia Civil, não será submetido a julgamento porque não há indícios suficientes de sua participação no crime. O processo contra ele está arquivado mas poderá ser reaberto se surgirem novos elementos de prova. O crime estaria ligado com investigações sobre concussão (extorsão praticada por funcionário público), do qual foi acusado e condenado em primeira instância o ex-delegado Cruz, juntamente com outros policiais, tendo como vítima Valdemar Gil. Santana foi morto quando atuava na apuração do crime atribuído a Cruz.





