Curitiba - Começou na manhã de ontem em Guarapuava (Centro) o julgamento do advogado Luiz Otávio Paiva, um dos acusados de ser o mandante do assassinato de uma família da Associação dos Pequenos Agricultores de Rio Bonito do Iguaçu (Apra), assentada junto com famílias do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) em Rio Bonito do Iguaçu (125 quilômetros a oeste de Guarapuava), em 2000. Só o interrogatório de Paiva durou cinco horas. Ontem deu tempo somente para a promotoria se pronunciar. Hoje o julgamento, que deve durar mais dois dias, deve recomeçar com a tese da defesa.
Além de Paiva, mais três pessoas foram indiciadas pelo crime. Ilgo Batista de Oliveira, que trabalhava na delegacia da cidade e também é acusado de ser um dos mandantes, deveria ser julgado junto com Paiva, porém foi dispensado porque seu advogado alegou problemas de saúde e não compareceu. O principal suspeito do caso, acusado de ser o autor dos crimes, Rosemir da Luz Borges, conhecido como Cuca, está foragido da cadeia de Laranjeiras do Sul. Já Luiz Vailati, que também pertencia à Apra e estava na mesma área da família morta como excedente (não conseguiu ser assentado), já foi condenado a 68 anos de prisão há cerca de dois anos por ser um dos mandantes. A espingarda usada no crime estava em seu nome.
Os assassinatos aconteceram no dia 11 de abril de 2000 e, além do casal, duas crianças de quatro e sete anos também foram mortas. Os quatro foram mortos a tiros de espingarda e depois degolados. Eles moravam num assentamento que tinha famílias do MST e da Apra, entidade ligada à Prefeitura de Rio Bonito do Iguaçu. O motivo do crime aparentemente está ligado ao narcotráfico.

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