Rio, 10 (AE) - Apontado pela polícia como líder do tráfico de drogas na Favela Boa Vista, em Niterói, na Grande Rio
Valter Gomes de Carvalho Filho, mais conhecido como "Valtinho", negou hoje, em depoimento à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Narcotráfico na Câmara dos Deputados, que tenha qualquer envolvimento com o deputado Wanderley Martins (PDT-RJ), membro da comissão. "Eu já estava condenado; se soubesse quem ele era, não seria maluco de ficar ao lado de um delegado", afirmou "Valtinho", em depoimento à CPI realizado no Presídio Bangu 1, onde está preso.
"Valtinho" aparece conversando com o parlamentar numa fita de vídeo gravada em 1997, durante uma festa na favela. Na época, Martins era delegado da Polícia Federal (PF) e concorria a uma vaga na Câmara.
Para o presidente da CPI, Magno Malta (PTB-ES), as declarações de "Valtinho" são suficientes para encerrar as investigações da CPI sobre o assunto.
"Ficou tudo elucidado", afirmou. A fita de vídeo foi gravada durante um churrasco feito na favela para comemorar a inauguração de um ambulatório do Projeto Gente Nossa, presidido por Martins. A gravação mostra que duas pessoas se aproximam de "Valtinho" e o levam ao encontro do deputado, num palanque improvisado.
Os dois aparecem conversando durante cerca de três minutos. "Não perguntei pelas duas pessoas", admitiu Malta. "Também não mostramos o vídeo para ele." Os deputados da CPI insinuaram que a fita foi entregue à PF para prejudicar Martins politicamente. "É estranho que a fita tenha sido encaminhada à polícia pelo general Nilton Cerqueira, que também era pré-candidato a deputado federal", disse o deputado Paulo Baltazar (PSB-RJ). Na época, Cerqueira era secretário de Segurança Pública do Estado.
Baltazar e os deputados Éber Silva (PDT-RJ) e Waldemir Moka (PMDB-MS) integram a sub-comissão destinada a apurar as denúncias contra Martins. Um inquérito, atualmente no Supremo Tribunal Federal (STF), foi aberto em 1998 para apurar as ligações de Martins com "Valtinho". O deputado também responde a um inquérito por corrupção desde 1994. Ele recebeu um depósito bancário no valor de Cr$ 10 milhões - cerca de US$ 2.500,00 - do doleiro libanês Elias Kanaan, acusado de lavagem de dinheiro e contrabando de armas.
"Estamos avaliando essa situação com responsabilidade"
limitou-se a dizer Malta. "Martins continua na CPI; para nós, não há nada que o comprometa." Sobre as críticas feitas pelo deputado Antônio Carlos Biscaia (PT-RJ) à permanência de Martins da CPI, Malta disse que não cabe aos integrantes da comissão execrar ninguém. "A CPI deve investigar."