A Polícia Civil de Minas Gerais confirmou à FOLHA que o empresário Márcio Rodrigo Cantoni, suspeito de liderar um esquema de fraude no pagamento do DPVAT (Seguro de Danos Pessoais Causados por Veículo Automotor) em Londrina, está detido no Presídio de Extrema, no sul do estado. A prisão teria ocorrido nesta quarta-feira (1º), no entanto não foi possível apurar até o fechamento desta edição em quais circunstâncias.

Imagem ilustrativa da imagem Acusado de liderar fraude no DPVAT em Londrina é preso em Minas Gerais
| Foto: Reprodução

Márcio Cantoni e a Cantoni Revisões ficaram conhecidos em setembro de 2016 quando o Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado) de Londrina cumpriu seis mandados de busca e apreensão para apurar irregularidades que estariam ocorrendo havia pelo menos dez anos na liberação do seguro obrigatório. Nesta ocasião, Cantoni já havia deixado o Brasil e passou a ser considerado foragido.

De acordo com o MP (Ministério Público), Cantoni seria o líder de um grupo que agia no sentido de identificar vítimas de acidentes de trânsito e ingressar com ações judiciais em nome delas com procurações e documentos falsos sem nunca conceder o benefício a quem teria o direito. Diversas vítimas foram ouvidas pelo MP e relataram ter recebido propostas que envolviam a cobrança de 10% sobre o valor do benefício, que pode chegar a R$ 13,5 mil. Há também relatos de vítimas de acidentes que nunca foram procuradas pela empresa e teriam tido o benefício integral sacado pelo escritório. À época, o Gaeco informou que o número de vítimas do esquema fraudulento poderia ser muito grande, uma vez que a Cantoni Revisões chegou a ter 24 escritórios espalhados pelo País.

O MP denunciou o grupo em maio de 2017 e o empresário passou a responder por crimes como formação de quadrilha, apropriação indébita, estelionato e posse ilegal de munição e arma. No mesmo mês, o juiz Paulo César Roldão, da 5ª Vara Criminal de Londrina, chegou a negar um pedido da defesa de Cantoni para a devolução de 27 veículos, entre carros de luxo e motocicletas, e a restituição de contas bancárias em nome do empresário. Ainda em 2017, Cantoni chegou a ser preso pela Interpol em Miami (Flórida) por residir ilegalmente nos Estados Unidos.

A defesa do advogado afirmou à reportagem que não iria se manifestar sobre a prisão e que estava analisando a possibilidade de ingressar com pedido de liberdade.

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