Londrina- O homem que teria articulado, de dentro da Casa de Custódia de Londrina, o acordo que selou a paz entre gangues rivais da Zona Oeste, foi preso anteontem em Florianópolis (SC). Edson dos Santos Rodrigues, o ''Zóza'', é acusado de participação no homicídio do garoto Dener Washington Cardoso Dias, 11 anos, em 14 de julho de 2006, no Jardim Leste-Oeste.
O pedido de prisão foi feito pela Promotoria da 1 Vara Criminal de Londrina e acatado pelo Tribunal de Justiça em 31 de julho. Desde então, ele vinha sendo procurado e acabou preso na tarde da última quarta-feira, em Florianópolis, cidade onde vivia na companhia da mãe. Ele permanece preso na capital catarinense e não há prazo definido para ser transferido para Londrina.
Denis foi vítima de uma bala perdida - ele brincava na rua quando foi atingido na cabeça - mas a autoria da morte continua incerta. Durante o inquérito, com base no relato de testemunhas, a Polícia Civil prendeu Zóza porque ele teria sido reconhecido como sendo o condutor da motocicleta que levou o atirador até o bairro. Porém, na fase processual, as testemunhas declararam que ele não teria envolvimento. O crime teria sido cometido por um adolescente, que teria convencido um amigo maior de idade a levá-lo até o bairro, onde pretendia matar Lincoln Lima do Nascimento, 25 anos, que estava próximo do garoto.
Nascimento saiu ileso mas acabou assassinado em novembro do ano passado, durante um bingo comunitário no Jardim Santiago (Zona Oeste).
Em outubro do ano passado, Zóza deixou a Casa de Custódia de Londrina (CCL) por ordem do então juiz da 1 Vara Criminal, João Luiz Cléve Machado, que entendeu não haver provas contra o acusado. O Ministério Público recorreu ao Tribunal de Justiça e Zóza voltou a ser acusado do crime e teve sua prisão decretada. Agora, a defesa dele espera que seja transferido para Londrina e que o julgamento aconteça ainda este ano.
''Ele tem que ir a julgamento e quanto mais rápido ele vir para Londrina melhor'', adiantou o advogado André Salvador. Ele reafirmou que seu cliente mantém sua versão inicial de que no dia do crime estaria em um hotel em Ibiporã. ''Tem testemunhas que comprovam isso e a própria tia do menino disse que não era ele (que dirigia a moto)'', completou.
Antes desta acusação, Zóza havia sido preso pela então Promotoria de Investigações Criminais (atual Gaeco) sob suspeita de envolvimento com um carregamento de mais de 200 quilos de maconha. Segundo seu advogado, ele foi inocentado desta acusação.
Em Londrina, Zóza morava no Jardim Nossa Senhora da Paz e fez parte do grupo de oito presos de facções rivais detidos na Casa de Custódia que, em julho de 2006, articulou o acordo de paz que pôs fim à guerra de morte entre gangues rivais da Zona Oeste. O confronto estaria prejudicando traficantes da região. O acordo foi anunciado pelo vereador Sidney de Souza (PTB).

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