Acusado de crimes no Litoral é condenado a 65 anos de prisão
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sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010
Marcela Rocha Mendes<br> Equipe da Folha 
Curitiba - Juarez Ferreira Pinto, acusado de ser o autor dos crimes que ficaram conhecidos como caso ''Morro do Boi'', foi condenado a 65 anos e 5 meses de reclusão em regime fechado. A sentença de 1º grau foi proferida pelo juiz substituto Rafael Luís Brasileiro Kanayama, da Vara Criminal de Matinhos, e divulgada, ontem, pelos advogados de defesa e acusação. O conteúdo do despacho não foi informado, uma vez que o magistrado decretou segredo de Justiça por envolver crime contra a dignidade sexual da vítima. O caso aconteceu em 31 de janeiro de 2009, em Matinhos, no litoral.
Pinto foi julgado culpado pelos crimes de latrocínio com relação à vítima Osíris Del Corso, que morreu no local, pena de 34 anos; roubo qualificado pelo resultado de lesão corporal grave na vítima Monik Pergorari Lima, pena de 22 anos e 8 meses; e atentado violento ao pudor também em relação à Monik, pena de 8 anos e 9 meses de reclusão. Por serem crimes diferentes, as penas são somadas, totalizando os 65 anos e 5 meses. A defesa ainda pode recorrer nas demais instâncias da Justiça. No entanto, Kanayama determinou que o réu deverá aguardar os resultados dos recursos preso.
Monik, que atualmente faz tratamento para voltar a andar em João Pessoa (PA), se disse feliz com a sentença e agradeceu o ''trabalho árduo da polícia, do Ministério Público, dos advogados e da Justiça''. Ela espera retornar a Curitiba, onde morava, em breve, mas totalmente recuperada. Ela levou um tiro na coluna e foi diagnosticada paraplégica, contudo conta que tem percebido evolução nos movimentos dos membros inferiores.
O advogado das vítimas, Elias Mattar Assad, que auxiliou a promotora de Justiça Carolina Dias Aidar de Oliveira, de Matinhos, na acusação, explicou que o juiz valorizou, principalmente, a palavra de Monik. ''Ele foi bastante sóbrio e científico, considerando todos os argumentos de defesa e acusação, acatando ou descartando um a um. Tecnicamente a sentença é perfeita'', argumenta.
A família Del Corso, em viagem pela Europa, contou ter recebido com alívio e emoção a notícia. ''Fica o consolo de que a verdade prevaleceu e saber que nosso filho contribuiu para que um elemento capaz de crimes como esses tenha sido retirado da sociedade'', disse a mãe de Osíris, Maria Zélia. Os pais do jovem morto em 31 de janeiro disseram nunca terem duvidado que o autor do crime tenha sido Pinto.
O advogado de Juarez Ferreira Pinto, Nilton Ribeiro de Souza, informou que entrará com habeas corpus no Superior Tribunal de Justiça (STJ) pedindo a nulidade do processo. ''Valorou-se somente o depoimento da vítima. A prova de balística (em relação à arma do crime) não teve nenhum valor'', disse, sobre a arma encontrada com Paulo Delci Unfried, que chegou a confessar o crime, mas depois negou alegando ter sido torturado. ''Já sabíamos que ele (o juiz Kanayama) era parcial. O Juarez já estava condenado desde o começo. E a condenação é tão absurda que nem vale comentar a pena''. Caso seja anulado o processo, Juarez é automaticamente colocado em liberdade.
A família do réu preferiu não comentar a sentença. Caso a decisão seja mantida, por se tratar de crimes hediondos, Pinto deverá cumprir ao menos 26 anos da pena em regime fechado antes de receber o benefício da progressão de pena.


