Acusado de chacina se contradiz se novo julgamento
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quinta-feira, 28 de novembro de 1996
Agência Estado 
RIO - O ex-soldado da PM Nélson Oliveira dos Santos Cunha, que começou a ser julgado ontem por participação na Chacina da Candelária - ocorrida em julho de 93, quando oito meninos de rua foram mortos - revelou ao tribunal um detalhe que contraria parte da versão apresentada quando confessou o crime, há sete meses. Em seu depoimento, Cunha disse que ao chegar na Candelária junto com outros três PMs fez um disparo em direção a um grupo de meninos que correu em sua direção. Em sua confissão, ele havia afirmado que atirou a esmo. A previsão é a de que a sentença seja conhecida hoje.
O advogado de Nélson Cunha, Luiz Carlos Silva Neto, procurou minimizar a contradição. Ele apenas atirou, mas ninguém garante que tenha atingido alguém. Segundo Neto, seu cliente apenas confessa os fatos, mas não que tenha matado. Apesar da possibilidade de Cunha ser condenado a mais de 300 anos de prisão, Neto esperava reduzir a condenação.
A testemunha Wagner dos Santos chegou ao TJ por volta das 13 horas, cercado por um forte esquema de segurança montada pela Polícia Federal. Usando boné e óculos escuros, ele saiu da Superintendência da PF acompanhado de três agentes federais, dividos em três carros. Antes de chegar ao Fórum, o comboio ficou retido por alguns momentos no trânsito justamente na praça situada atrás da Igreja da Candelária, onde ocorreu a chacina. Ontem, a previsão era de que o depoimento de Wagner ocorreria no fim da noite.


