Acusado de assassinato muda depoimento
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quinta-feira, 24 de dezembro de 1998
Agência Estado 
O ex-PM, Jadir Simeone, suspeito de ter assassinado Paulo de Andrade, o Paulinho de Andrade, mudou, ontem, seu depoimento sobre a morte do bicheiro. Ele negou que o primo de Paulinho, Rogério de Andrade, tenha sido o mandante do crime, conforme havia declarado na 21ª D.P (Bonsucesso), quando foi preso no dia 7 de dezembro. O delegado responsável pelo caso, Jorge Campos, não acreditou na nova versão de Simeone e vai tentar provar a ligação do ex-PM com Rogério.
Durante meia hora, Simeone esteve frente a frente com Rogério de Andrade, quando então desmentiu a primeira versão de seu depoimento.
Ele disse que acusou Rogério porque estava com raiva. Segundo o ex-PM, Rogério teria lhe negado um pedido de emprego. A advogada de Simeone, Janete Oliveira Melo, ficou surpresa com a atitude de seu cliente e afirmou que vai pedir exame de sanidade mental para o ex- PM. Para mim ele é desequilibrado, doente mental, declarou.
Em seu primeiro depoimento, Simeone negou que tenha cometido o crime, ocorrido no dia 21 de outubro, na Barra da Tijuca, zona oeste. Ele contou que recebeu uma proposta de Rogério para matar Paulinho, e chegou a receber uma oferta de R$ 300 mil como pagamento pelo serviço. De acordo com Simeone, Rogério teria dito que o primo desviava dinheiro do jogo do bicho, e que com isso, estava prejudicando a própria família.
O delegado Campos não ficou convencido com a história contada pelo suspeito. Achei que ele ficou com medo e senti que ele deve ter sofrido uma pressão externa para desmentir tudo, disse. Ele contou que pretende pedir quebra de sigilo telefônico dos dois para provar o seu envolvimento no assassinato de Paulinho de Andrade. O delegado de Rogério, Daniel Tourinho, declarou que vai pedir revogação da prisão de seu cliente. Rogério sempre disse que era inocente, observou.
Por 24 votos a zero, o Plenário do Tribunal de Justiça, na última sessão do ano, recebeu ontem denúncia, por porte ilegal de arma contra o promotor Igor Ferreira da Silva e seu irmão, o advogado Eger da Silva. Por igual votação indeferiu pedido da Procuradoria Geral de Justiça para que fosse restabelecida a prisão preventiva de ambos.
O recebimento da denúncia implica na imediata instauração do processo criminal. A pena prevista é de 2 a 4 anos de cadeia. No caso de Igor, se condenado, dada a sua condição de funcionário público, haverá acréscimo da metade da pena aplicada.
Em julho último, durante as investigações sobre o assassinato da esposa de Igor, Patrícia Aggio Longo, do qual ele é acusado, foi apreendido num sítio em Mairiporã uma pistola calibre 9 mm. Igor e o irmão foram presos em flagrante, posteriormente relaxado pelo Tribunal de Justiça.
O desembargador Franciulli Neto ressaltou em seu voto que o crime de porte ilegal de arma está configurado. A lei autoriza porte de arma pelos membros da magistratura e do Ministério Público.


