Acusado afirma que declaração foi brincadeira
São Paulo, 29 (AE) - Dizendo ter sido uma brincadeira - uma brincadeira, admite, de mau gosto -, o estudante Frederico Carlos Jana Neto, do 6.º ano da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), disse hoje, para seu advogado Guilherme Battochio, que não teve nenhum envolvimento na morte do calouro Edison Chi Tsung Hsueh.
Jana tem o apelido de Ceará e, durante festa de universitários do Mackenzie e da Unip, numa choperia da zona sul
declarou, numa gravação de vídeo feita por estudantes: "Eu sou o assassino do calouro da USP. Eu matei o japonês que se afogou. Eu sou o Ceará que apareceu na Folha de São Paulo." Na mesma gravação, uma voz feminina acrescenta: "Ele foi brincar de caldo com o japonês."
O "caldo" a que se refere a moça é aplicado nos trotes dentro da piscina. O calouro entra na água e o veterano sobe nos seus ombros e permanece ali por algum tempo.
Jana está preso pelas afirmações que fez no vídeo e, também, segundo o delegado Marcelo Damas, do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), por indícios reunidos no inquérito. Foi apontado em cartas anônimas como um dos mais violentos no trote em que Hsueh foi jogado na piscina.
Ceará contou a Battochio que foi à festa com a namorada e o irmão dela. Era o único da Medicina da USP. "Assim que entrou e o identificaram como sendo da USP, começaram a chamá-lo de assassino da medicina, que matara o calouro, e ele explodiu."
Battochio declarou que irá provar a inocência de seu cliente e pretende liberá-lo o mais rapidamente possível. Orfão de pai e mãe desde menino, Ceará tem três irmãos, um deles portador de Síndrome de Down, e os ajuda. Ele já trabalha no Hospital Universitário e faz especialização em neurocirurgia. (R.L.)





