Washington, 10 (AE-REUTERS) - O Senado entrou hoje (10) no segundo dia de deliberações a portas fechadas no processo de impeachment do presidente Bill Clinton, aproximando-se da decisiva votação que deve inocentá-lo das acusações de obstrução da justiça e perjúrio.
Dois senadores republicanos, Jim Jeffords, de Vermont, e Arlen Specter, da Pensilvânia, disseram que irão se opor aos dois artigos do impeachment, aumentando a possibilidade de que nenhuma das acusações consiga mesmo a maioria de 51 votos.
Enquanto o número de votos para condenar e remover Clinton nas duas acusações estava certo de ficar bem abaixo dos 67 necessários, um apoio menor do que da maioria para os dois artigos seria um golpe simbólico contra a decisão da Câmara dos Representantes, liderada pelos republicanos, de aprovar o processo de impeachment.
"O fracasso em conseguir 50 votos irá minar a credibilidade de todo o processo de impeachment", afirmou o senador democrata Robert Torricelli, de Nova Jersey.
Antes de limpar a câmara e desligar as câmeras para o debate de hoje, o líder republicano do Senado, Trent Lott, disse que os senadores tentariam concluir todos os trabalhos para que a votação final fosse realizada na noite de quinta-feira, pondo fim a um mês de julgamento.
Mas durante a hora do almoço, ele afirmou a repórteres que estava havendo algum atraso e que a votação final poderia ocorrer na sexta- feira.
Jeffords estimou que seis ou sete dos 55 republicanos iriam se opor aos dois artigos. Como espera-se que quase todos os 45 democratas ficarão ao lado do presidente, isso faria com que a votação da acusação mais forte, obstrução de justiça, não consiga a maioria.
Senadores afirmam que o artigo de perjúrio será derrotado por larga margem. "A acusação de perjúrio foi muito mal redigida", disse o senador democrata de Nebraska, Bob Kerrey. "O perjúrio foi uma confusão desde o início".
Uma moção para censurar Clinton por suas ações no caso Monica Lewinsky também parece estar perdendo força, com oponentes da censura prometendo bloqueá-la nos procedimentos.
Uma maioria de dois terços, ou 67 votos, é necessária para mudar as regras do Senado e trazer a moção de censura para o plenário para considerações.

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