Acusação vê farsa em separação de Paula
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quinta-feira, 15 de maio de 1997
Agência Estado, do Rio 
Os promotores do 2º Tribunal do Júri do Rio, José Mui¤os Pi¤eiro Filho e Maurício Assayag, pretendem convencer os jurados que a separação do casal Guilherme de Pádua e Paula Thomaz - que anteontem completariam cinco anos de união - seria uma farsa para desvinculá-los da responsabilidade pelo assassinato da atriz Daniella Perez.
No segundo dia de julgamento, Paula Thomaz, mais uma vez, abandonou o plenário alegando mal-estar e cólicas menstruais. A sessão, interrompida no início da madrugada, foi reaberta ontem às 11h10, e 20 minutos depois a ré, aos soluços, deixou o tribunal. Ela só voltou às 16h30 e estava ofegante, chorando muito, sem tirar os olhos do juiz José Geraldo Antônio.
De acordo com os advogados de defesa, Augusto Thompson e Carlos Eduardo Machado, Paula só deveria voltar a sentar no banco de réus para ouvir os depoimentos das testemunhas, o advogado Hugo da Silveira (de acusação) e a jornalista Paula Máiran (defesa), previstos para começar às 20h30. A sentença estava prevista para o final da madrugada de hoje.
O dia ontem foi praticamente todo consumido na leitura de relatórios do processo e na apresentação de fitas de vídeo e transparências para os jurados. Um dos relatórios lidos para os jurados foi o de uma sindicância da Corregedoria de Polícia Civil que comprovou que em 1995 Paula deixou a Polinter para encontrar com Pádua, na cadeia.
A novelista Glória Perez disse que a separação se deu para quebrar a cumplicidade dos assassinos. Carlos Eduardo Machado, advogado de Paula, reagiu. Se a acusação acha que esta é a prova do crime, é porque está mesmo sem provas, disse. Glória Perez assistiu ao julgamento segurando o par de sapatilhas que pertenceu à filha e uma pequena medalha, com a foto de Daniella. Ela ficou revoltada com a ausência de Paula no júri. Parece uma peça infantil mambembe, tão convincente quanto o álibi de que ela ficou no Barrashopping quase oito horas no dia do crime, disse Glória. É um desrespeito ao julgamento e ao júri, afirmou.
A própria Glória chorou ao se deparar de manhã com Paula no júri, segundo uma amiga da novelista, a pesquisadora Lúcia Abreu. Ela chegou às 10 horas, acompanhada do filho Rodrigo, de 23 anos, e da sobrinha, Bárbara, de 21 anos. O irmão de Glória, o médico Saulo Ferrante, elogiou os advogados de Paula. O julgamento transcorre com tranquilidade porque os advogados são corretos, éticos, não são estrelas.
O testemunho mais esperado era do advogado baiano Hugo da Silveira, que anotou a placa do carro usado por Pádua no dia do crime e garante que o ator estava acompanhado com uma mulher com rosto arredondado, parecida com Paula. A defesa vai questionar a eficiência visual de Silveira, que usa óculos, e o reconhecimento, que deveria ser feito pessoalmente e não por fotos de jornal. O depoimento de Silveira é tão importante, que a defesa pediu quebra de sigilo telefônico dele para saber se o advogado falara com a família de Daniella antes do reconhecimento. Foram expedidos ofícios, mas a Telebahia nunca enviou uma conta, lamentou Machado.


