Acusação e defesa preparam estratégias
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sábado, 14 de agosto de 1999
Por Edson Luiz Enviado Especial 
Belém, 15 (AE) - A defesa e a acusação dos réus fizeram hoje, cada um à sua maneira, os últimos preparativos para o julgamento de amanhã, considerado o maior da história jurídica do País. Reforçado por outros três advogados ligados a movimentos sociais e do criminalista Nilo Batista, o promotor Marco Aurélio Nascimento não revela sua estratégia de atuação. Seu adversário no júri, o advogado Américo Leal, que defende o coronel Mário Pantoja e o capitão Raimundo José de Almendra Lameira, diz que só irá desqualificar a autoria dos crimes.
A acusação escolheu uma velha casa pertencente à Sociedade de Defesa dos Direitos Humanos do Pará, no bairro da Pedreira, na periferia da cidade, para traçar os planos de atuação. De bermudas e camiseta, o promotor prefere manter-se calado até a hora do júri. Seu assistente, o advogado Nilo Batista, ex-governador do Rio de Janeiro, também não gosta de falar, mas admite que ainda está conhecendo o processo, de aproximadamente oito mil páginas. "Devo ter lido pelo menos seis mil delas", observa Batista.
Bem mais a vontade, o advogado Américo Leal e seu assistente Gilberto Alves preferiram almoçar com a família em um restaurante da cidade, que abriu especialmente para receber o grupo. Leal, considerado um dos melhores criminalistas do Pará, não parece preocupado com o júri de amanhã. A todo momento, enquanto fala sobre o caso, pede ao garçom que sirva-lhe mais cerveja. "Estou tranquilo", diz.
Além de defender a negativa de autoria do crime de seu cliente, Leal pretende desqualificar o Movimento dos Trabalhores Sem-Terra (MST). "Vou mostrar que, se um ladrão do mercado Ver-o-Peso (uma das principais atrações turísticas de Belém) bate a carteira de alguém pega quatro anos de prisão, porque um sem-terra, que saqueia um caminhão, não pode pegar oito anos", diz ele.
Do outro lado, mesmo mantendo o sigilo, a acusação pretende responder aos ataques contra os sem-terra. Tanto é que todas as declarações de Leal contra o movimento foram gravadas e estavam sendo analisadas pelo promotor e seus auxiliares. Mas a falta de uma testemunha, a jornalista Marisa Romão, que não havia chegado a Belém, pode enfraquecer a acusação.
Por parte da defesa, a ausência do funcionário do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), José Líbio de Moraes Mattos, que teria alertado o governo sobre uma possível ação violenta dos sem-terra, e do motorista João Ribeiro, que conduziu a tropa até o local do confronto, pode atrapalhar a estratégia dos advogados. "O motorista, principalmente, era uma testemunha importante", afirma Leal.


