Acusação é de que Pitta beneficiou empresário
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quinta-feira, 23 de março de 2000
Por Nathalia Molina 
São Paulo, 24 (AE) - De acordo com as acusações, o prefeito Celso Pitta (PTN) teria beneficiado o empresário Jorge Yunes com duas ações: um projeto de lei que propunha a alteração de zoneamento na região onde o empresário tem um terreno e a contratação de funcionários fantasmas indicados por Yunes para a Anhembi Turismo e Eventos.
Em dezembro de 1998, o prefeito enviou à Câmara dos Vereadores, em regime de urgência, um projeto que previa a alteração na lei de zoneamento na região do Parque Vila Maria 3, na zona norte, onde Yunes tem um terreno com 17 mil metros quadrados de área construída.
Até aquele momento, Yunes havia emprestado R$ 600 mil ao prefeito - atualmente a dívida de Pitta já chega a R$ 800 mil. A prefeitura alegou, à época, que se tratava apenas de uma coincidência.
Em depoimento à Câmara, em abril do ano passado, Yunes confirmou que pediu ao prefeito que alterasse o zoneamento da região. O empresário alegou que tinha feito a solicitação para ajudar uma transportadora localizada na região, que estaria falindo e deixaria os empregados na rua. Com a mudança no zoneamento, segundo Yunes, a transportadora poderia vender melhor o terreno.
De acordo com o projeto proposto, seria permitida a construção de shopping centers, supermercados ou editoras de livros na região. Yunes é dono do Instituto Brasileiro de Edições Pedagógicas e mantém na área um depósito de livros. Pela lei de zoneamento, apenas galpões e garagens de transportadoras poderiam ser construídos ali.
Na Câmara, o projeto foi vetado na Comissão de Constituição e Justiça. O relator da comissão, vereador Arselino Tatto (PT), considerou que o empresário foi beneficiado, já que pretenderia mudar sua editora, com sede no Brás, para a Zona Norte. Além do pedido de alteração de zoneamento, Pitta teria beneficiado Yunes com a contratação de funcionários fantasmas indicados pelo empresário para ocupar cargos na Anhembi. Em declarações anteriores, o empresário confirmara que costuma emprestar dinheiro ao prefeito. "Eram R$ 25 mil, R$ 30 mil. O que são? Cabem no bolso", comentou.
Contratos registrados no 8.º Cartórios de Títulos e documentos, Yunes já emprestou R$ 800 mil, mais correção monetária. O último contrato registra que Pitta receberia R$ 200 mil, a serem pagos em oito parcelas de R$ 8 mil.


