No ano passado, cerca de 50% das mulheres norte-americanas em idade fértil faltaram ao trabalho pelo menos uma vez por causa de cólica menstrual, segundo a Associação Médica Americana. Conhecida como dismenorréia (menstruação dolorosa), as dores atacam a região do baixo ventre, mas podem irradiar também para a região lombar e para as pernas. Vômito, diarréia, dores de cabeça e até desmaio podem estar associados às cólicas menstruais.
Segundo a ginecologista e obstetra do Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo Marianne Pinotti, a dismenorréia primária pode ser provocada por múltiplos fatores, como o estreitamento do canal do colo do útero ou alergias.
O mais aceito, no entanto, é o aumento da produção da prostaglandina, uma substância natural. Ela causa insuficiência de irrigação sanguínea e produz contração do útero.
A idade é um fator que ‘‘amortece’’ esse tipo de cólica. Geralmente sentidas nas primeiras menstruações, as dores podem mudar de acordo com o equilíbrio emocional e as oscilações hormonais. Esse pode ser um dos motivos por que as adolescentes sofrem mais.
Os médicos costumam receitar, em casos de dismenorréia primária, antiinflamatórios não-hormonais, que diminuem a produção de prostaglandina. ‘‘Analgésicos podem até aliviar a dor momentaneamente, mas não diminuem a produção da substância’’, afirma Márcia Gaspar Nunes, ginecologista da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).
A ginecologista Marianne recomenda também tratamentos alternativos, como acupuntura, ‘‘só quando a paciente acredita’’. Para Hung Jin Pai, presidente da Sociedade Médica de Acupuntura de São Paulo, o tratamento alopático, com diuréticos, calmantes e antiinflamatórios, é apenas paliativo. Ele diz que a acupuntura estimula regiões que aumentam a quantidade de endorfina, encefalina e serotonina no corpo.
‘‘Há os efeitos analgésico, calmante, relaxante muscular, diurético e antiinflamatório. O efeito mais importante é a interrupção do círculo vicioso da dor’’, afirma.
O tratamento é feito semanalmente, durante três ciclos menstruais. Agulhas descartáveis ficam durante aproximadamente 20 minutos na mão, nas pernas, no baixo ventre e, em alguns casos, na cintura. ‘‘A maioria das pacientes fala que a dor não volta’’, afirma Jin Pai.

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