Rio Branco tinha ontem 931 famílias desabrigadas por causa das cheias do rio Acre, segundo a Defesa Civil Municipal. Anteontem, o número de desabrigados na capital era de 850 famílias.
Das 931 famílias, 481 foram removidas pela Defesa Civil Municipal para quatro abrigos e o restante foi para a casa de parentes. O nível do rio Acre subiu nove centímetros de anteontem para ontem, passando de 15,8m para 15,89m, quando o normal é de 10m nesta época do ano.
A população ribeirinha teve sua produção de frutas e raízes prejudicada em pelo menos 30% até agora. Ontem à tarde, 17 barcos trabalhavam na retirada das famílias e das mobílias das casas alagadas.
Um dos afluentes do rio Acre, o Riozinho do Rola estava com o nível beirando os 14m - o nível esperado no período de chuvas fica entre 7m e 8m. Ainda ontem, 24 bairros da capital estavam tomados pelas águas, sendo que oito deles estavam completamente isolados.
Um posto médico emergencial foi montado no Parque de Exposições, onde se encontra o maior número de desabrigados - 355 famílias. ‘‘A maior dificuldade é que o trabalho com barco é muito lento. Há lugares em que não se pode ligar o motor e temos de trazer a mobília remando’’, afirmou o coordenador da Defesa Civil Municipal, coronel Dalzanir França.
Além da capital, outros municípios foram atingidos pelas águas. Em Sena Madureira, cem famílias estavam desabrigadas. Em Cruzeiro do Sul, 30, e em Xapuri, quatro.
Segundo o coordenador da Defesa Civil Estadual, coronel Sidney Araújo, algumas famílias de Cruzeiro do Sul se negavam a sair de perto de suas casas, o que dificultava o socorro.
O governador do Estado, Jorge Viana (PT), encontra-se hoje, em Brasília, com o presidente da República, Fernando Henrique Cardoso, e deve tratar do problema das enchentes.
Pernambuco O maior racionamento de água da história de Recife vai ser intensificado a partir de hoje devido à falta de chuvas e ao risco de colapso nos reservatórios que abastecem a região.
O período de fornecimento, que desde o dia 15 de dezembro passado era de 20 horas a cada quatro dias, passará a ser de 20 horas a cada cinco dias - o que significa cem horas seguidas sem água.
Além capital pernambucana, o novo esquema atingirá os municípios de São Lourenço da Mata, Camaragibe, Jaboatão dos Guararapes e Cabo, na região metropolitana. Cerca de 2,86 milhões de pessoas serão obrigadas a conviver com o problema.
Em Olinda, Paulista, Abreu e Lima e Igarassu, cidades localizadas ao norte de Recife, o fornecimento na maioria dos bairros deverá ser mantido no esquema anterior - 20 horas com água e 76 horas sem. Doze poços artesianos, com capacidade para fornecer cem mil litros de água por hora, estão sendo perfurados na região para melhorar o abastecimento nos próximos 90 dias.

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