O Acre deverá lançar em março, entre as lideranças do Congresso Nacional, os primeiros protótipos de camisinhas feitas à base do látex extraído de seringueiras nativas.
O anúncio foi feito pelo secretário-executivo de Florestas e Extrativismo do Estado, Carlos Vicente. As primeiras camisinhas, um lote de 20 mil, foram produzidas por uma empresa privada da Bahia com o látex coletado de seringueiras do Estado.
Pelo acordo feito entre o governo do Acre e a empresa baiana, deverá ser produzido mais um lote de 80 mil unidades.
De acordo com ele, os testes realizados com o produto comprovaram que a ‘‘camisinha acreana’’, como vem sendo chamada no Estado, tem a mesma qualidade dos preservativos existentes no mercado e fabricadas por empresas multinacionais.
A intenção do governo acreano é distribuir as camisinhas a lideranças do Congresso Nacional, entre as quais o senador Antônio Carlos Magalhães (PFL-BA), e tentar conseguir o apoio da União para instalar uma fábrica do produto na região de Xapuri.
No ano passado, o governo acreano tentou obter um empréstimo de US$ 10 milhões do Banco Mundial (Bird) para montar a fábrica de camisinhas à base do látex da seringueira. O acordo com o Bird envolvia o governo local e a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), que ficaria responsável pela produção dos preservativos.
Mas as negociações não avançaram e, a partir daí, o governo do Acre fez uma parceria com a empresa baiana para produzir as camisinhas em fase experimental.
Segundo Vicente, o acordo com o Bird não chegou a ser fechado por causa de um parecer de técnicos considerando ser inviável a produção de camisinhas no Acre. No parecer, os consultores do banco concluíram que o produto não teria boa qualidade.
Agora, com a produção experimental, o governo espera derrubar os argumentos dos técnicos do Banco Mundial. ‘‘Temos laudos atestando tratar-se de um produto de boa qualidade’’, afirma Carlos Vicente.
O secretário acredita que, agora, a produção de camisinhas com o látex de seringueiras do Acre é viável. Ele disse que a montagem da fábrica na região de Xapuri seria capaz de gerar 200 empregos diretos e aumentar a arrecadação do Estado em U$S 1 milhão por mês.
Vicente disse ainda que o ministro da Saúde, José Serra, já teria se posicionado favoravelmente ao empreendimento. Atualmente, o governo brasileiro é obrigado a realizar concorrências internacionais para comprar os preservativos utilizados nas campanhas de prevenção à Aids.
‘‘Com uma fábrica nacional, o Acre ajudaria a União a resolver este problema’’, avalia o secretário.

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