Acordos do BID favorecem países pobres da AL
Paris, 17 (AE-REUTERS) - O Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) encerrou hoje (17) sua assembléia anual com acordos que devem beneficar os países mais pobres da América Latina (AL) e as pequenas e médias empresas da região.
Durante três dias, os ministros de Finanças da AL debateram em Paris o impacto da crise financeira mundial sobre suas economias, e expressaram seu alívio e apoio pelo novo programa econômico do Brasil, cuja recessão afetará todos os países da região.
Os ministros e presidentes de bancos centrais também debateram a dolarização planejada pela Argentina, sem esconder suas diferenças sobre o tema, e analisaram o efeito que terá a criação da moeda européia, o euro, sobre suas economias.
Ao fechar o encontro, o presidente do BID, Enrique Iglesias, disse: "Este ano será complicado". Ele destacou, contudo, a capacidade de rápida resposta que a região tem oferecido para enfrentar crises de confiança dos investidores internacionais, após as crises asiática e russa, e seu compromisso por manter economias abertas e continuar as reformas.
"O ano 2000 será o ponto de partida da retomada do crescimento", disse Iglesias.
O presidente do BID anunciou que os governadores do organismo, em sua assembléia anual, aprovaram um aumento de capital de US$ 500 milhões para a Corporação Interamericana de Investimentos (CII), que serão oferecidos nos próximos oito anos, para chegar a US$ 700 milhões. A CII facilita créditos e realiza investimentos em pequenas e médias empresas que não consigam apoio dos bancos locais em seus países.
O aumento de capital foi conseguido após cinco anos de oposição dos Estados Unidos, que finalmente se convenceram da viabilidade da CII. Países industrializados, que são membros do BID, concordaram acelerar seus aportes de capital à Corporação. Trata-se de países como a Grã-Bretanha e Portugal, que fazem parte do BID mas que ainda não eram membros da CII.
Iglesias anunciou a aprovação final da liberação de US$ 2,3 bilhões em recursos que se destinarão aos países latino-americanos mais pobres. Esses recursos serão repassados por meio do Fundo de Operações Especiais do BID.
Os países beneficiados são Bolívia, Nicarágua, Honduras, Haiti e Guiana. Os fundos serão usados como empréstimos com baixo custo para estes países e na redução da dívida mediante o programa do Fundo Monetário Internacional (FMI) para nações altamente endividadas.
Estes países até agora mantinham seus aportes em depósitos em moeda local que, ainda sendo recursos do BID, só eram usados para financiar projetos no país que tomava o empréstimo. Os Estados Unidos decidiram que liberarão os fundos para ajudar aos países mais pobres do continente. Para Iglesias, essa concessão solidária foi uma decisão "histórica" da assembléia de governadores, por ser a primeira vez que países da região ajudam a outros desta forma.
O acordo inclui a criação de uma nova vice-presidência de administração do BID, que será ocupado pelo Brasil, a maior economia da região. Fontes do BID dizem que o cargo será ocupado por Paulo Paiva, atual ministro do Orçamento. A nomeação ainda não é oficial. Se a indicação for confirmada, o Brasil recuperaria a influência perdida no banco com a reorganização da gerência de operações, posto ocupado pelo País, que tradicionalmente tem o terceiro posto em importância no BID. A presidência do BID sempre é ocupada por um latino-americano e a vice-presidência executiva sempre foi exercida por um norte-americano.





