Acordos brasileiros facilitam integração com Comunidade Andina
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quarta-feira, 04 de agosto de 1999
Por Sérgio Bueno 
Porto Alegre, 5 (AE) - A iniciativa do Brasil de assinar acordos de preferências tarifárias com os países da Comunidade Andina, independente de seus parceiros do Mercosul, abre o caminho para acelerar a integração entre os dois blocos, negociada sem sucesso há cerca de cinco anos. A avaliação foi feita por embaixadores presentes ao encontro de representantes da América Central e do Caribe na sede da Federação das Associações Comerciais do Rio Grande do Sul (Federasul).
Os acordos bilaterais, com dois anos de prazo e que entram em vigor dia 16 deste mês entre o Brasil e os cinco países da Comunidade Andina (Colômbia, Venezuela, Equador, Peru e Bolívia), constituem um "antecedente importante" para as negociações com o Mercosul, disse o embaixador equatoriano, Diego Espinosa. Na opinião dele, a integração entre os dois blocos também vai fortalecer a posição de ambos nos debates sobre a formação da área de Livre Comércio das Américas (Alca).
Espinosa elogiou a iniciativa brasileira, que chegou a desagradar aos demais sócios do Mercosul. "O Brasil decidiu negociar sozinho e logrou em três meses o que o Mercosul não conseguiu em cinco anos", comentou. No ano passado, segundo ele
o fluxo comercial entre Brasil e Equador alcançou US$ 230 milhões. Deste total, US$ 200 milhões corresponderam a exportações brasileiros.
O adido comercial da Colômbia, Sérgio Dias, disse que, "no futuro", os dois blocos regionais devem se unir. De acordo com ele, as negociações em conjunto com todos os membros do Mercosul vinham sendo "muito difíceis" porque esbarravam em interesses divergentes entre "setores sensíveis" de um número maior de países, nove ao todo.
Dias acredita que o acordo entre o Brasil e a Comunidade Andina permitirá "melhorar muito" as relações comerciais do seu país com os brasileiros, que se limitaram a US$ 210 milhões em 1998. No período, a Colômbia teve um déficit de US$ 90 milhões, informou.
O representante colombiano explicou que seu país espera apoio político e econômico e não militar da comunidade internacional para enfrentar a crise interna provocada pela ação da guerrilha das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc). "O presidente Andres Pastrana já deixou bem claro que não permitirá que nenhuma tropa estrangeira intervenha no País"
assegurou.
Dias disse que o governo colombiano e a sociedade estão envolvidos em um "gigantesco esforço" de negociação "política e social" para superar a crise interna, agravada pelo altíssimo índice de desemprego de 16% registrado no ano passado. De acordo com ele, a comunidade internacional deve entender que o problema da Colômbia "é um problema de todos". Por causa disso, o país espera apoio político e econômico para chegar a um novo patamar de desenvolvimento capaz de sustentar a paz em termos permanentes.
México - Durante o encontro em Porto Alegre, o embaixador mexicano, Jorge Navarrete, reiterou que seu país pretende transformar-se em "sócio" do Mercosul nos próximos anos, nos mesmos moldes do Chile e da Bolívia. Segundo ele, o México firmou um acordo bilateral de preferências tarifárias com o Brasil com validade de "dois ou três anos", similar a outros assinados ano passado com o Uruguai e a Argentina, e durante este período pretende negociar a aproximação integral com o bloco do cone sul.
Navarrete também defendeu a manutenção dos prazos originais de negociação da Alca. "Não há por que ter pressa", afirmou, mesmo reconhecendo que a área de livre comércio das américas é importante para o desenvolvimento de "todo o hemisfério".
O embaixador defendeu ainda uma revisão na metodologia de cálculo da balança comercial entre o Brasil e o México. Segundo ele, as autoridades brasileiras apontam para um "quase equilíbrio" no saldo, enquanto os mexicanos detectaram um déficit de US$ 300 milhões em 1998.
"Temos que reunir os técnicos de estatísticas para identificar as diferenças, que podem ser causadas por metodologias ou triangulações de negócios com os Estados Unidos", disse.
Cuba - O embaixador de Cuba, Ramón Sánchez-Parodi, afirmou durante o encontro na Federasul que o seu país também tem interesse em aproximar-se do Mercosul, a exemplo do Chile e da Bolívia. Esta aproximação ainda não ocorreu na opinião dele, entretanto, porque o bloco do cone sul tem "outras prioridades" neste momento, como as próprias controvérsias internas e a integração com a Comunidade Andina.
Paridi comentou que embora o governo brasileiro venha contribuindo para o desenvolvimento das relações entre os dois países, o comércio bilateral ainda está muito abaixo de suas potencialidades, na faixa de US$ 50 milhões a US$ 60 milhões por ano. Ele destacou que já há um acordo "parcial" de preferências alfandegárias com o Brasil, mas afirmou que há muitos segmentos a serem explorados.
O principal seria o de medicamentos, que responde pela quase totalidade das exportações cubanas ao Brasil, limitadas a 4% a 5% do fluxo comercial entre os dois países.
Parodi informou que dentro de três a seis meses o consórcio formado pela Braspetro e pela Cuba Petróleo deve iniciar as perfurações de risco em águas profundas na costa cubana. De acordo com ele, há uma hipótese de existência do combustível em uma grande bacia que iria do golfo do México até a Venezuela, o que incluiria Cuba.
Atualmente, conforme o embaixador, seu país produz apenas 2 milhões de toneladas de petróleo por ano e é obrigado a importar 5 milhões de toneladas para suprir a demanda doméstica.


