Acordo viabiliza vacinação na 7 Mil
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quinta-feira, 20 de maio de 1999
Maurício Borges 
Depois de quase 5 horas de negociação, a Secretaria da Agricultura e do Abastecimento (Seab), através da Defesa Sanitária Animal(DSA), conseguiu iniciar ontem, às 16 horas, em Jardim Alegre (140 km ao sul de Apucarana) a vacinação contra febre aftosa, do rebanho de bovinos da fazenda 7 Mil, há dois anos ocupada por 700 famílias de sem-terra. O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) acabou comprando as vacinas para imunizar os animais, estimados em cerca de 8 mil cabeças.
Posicionados na entrada principal da 7 mil, que tem área de 5.731 alqueires, os sem-terra não permitiram a entrada de peões e funcionários a enviados pelo proprietário da fazenda, Flávio Pinho de Almeida. Da mesma foram, os sem-terra não admitiam a entrada de policiais militares, que tinham a tarefa de dar proteção aos técnicos da Seab.
Diante da negativa do MST, Gilberto Pereira Martins, que gerencia fazendas da família Pinho de Almeida, abandonou o local levando consigo os peões e funcionários, além das doses de vacina e demais materiais necessários para o trabalho. Segundo ele, a determinação foi dada por telefone por Flávio Pinho de Almeida, que reside na capital paulista. Com esta posição os sem-terra deixam evidenciado que não querem que seja constatado o número atual de animais existente na 7 Mil, declarou.
Durante toda a discussão entre os técnicos da Seab, representante do proprietário e os sem-terra, um efetivo de 40 policiais militares, em seis viaturas, aguardava o desfecho da negociação, há uma distância de cinco quilômetros. Apesar de o secretário de segurança pública, Cândido Martins de Oliveira, ter autorizado reforço policial para efetivar a vacinação, a PM tinha orientação para apenas monitorar o trabalho, evitando qualquer tipo de atrito ou confronto com os sem-terra.
O capitão José Carlos Xavier, que contribuiu na intermediação de um acordo com os sem-terra, justificou que a manutenção do reforço policial à distância, serviu para evitar uma intimidação ou constrangimento. O objetivo era conseguir vacinar os animais, e isso começou a ser feito hoje (ontem), depois de intenso diálogo, avaliou ele.
O acordo definitivo para viabilizar o trabalho dos veterinários da DSA, foi fechado pelo chefe do núcleo da Seab em Ivaiporã, o agrônomo Sérgio Empinotti, às 14 horas. Iniciamos a vacinação com o compromisso de que, após a imunização de todo o gado existente nas mangueiras, os sem-terra permitam que um grupo de pelo menos 10 peões, contratados pela própria Seab, vistorie todos retiros e pastagens, para constatar se existem animais sem vacinar, explicou Empinotti.
De acordo com o agrônomo, isso é necessário para garantir que haja mesmo um vacinação de 100% dos animais, e que o número não seja contestado pelo proprietário. Ele lembrou que o prazo da campanha contra aftosa encerrou-se ontem.
Da parte dos sem-terra, Vilmar e José Godoi, líderes do acampamento, argumentaram que, desde o início, os sem-terra queriam e estavam dispostos a contribuir na vacinação do rebanho. Prova disso são as quase duas mil cabeças que nós reunimos e fechamos na mangueira central, há quatro dias, comentou Vilmar.


