Brasília, 17 (AE) - Os governos do Brasil e dos Estados Unidos assinam amanhã (18), em Brasília, acordo que vai permitir o lançamento de satélites de empresas norte-americanas a partir do Centro de Lançamento de Alcântara (CLA), no Maranhão. O objetivo do acordo, classificado como de salvaguardas tecnológicas, é garantir que a tecnologia dos satélites dos EUA não será repassada ao Brasil. "Ninguém deseja ver sua tecnologia roubada ou desviada", justificou hoje o ministro da Ciência e Tecnologia, Ronaldo Sardenberg, durante entrevista coletiva, ao lado do embaixador dos EUA no Brasil, Anthony Harrington.
Com a assinatura do documento, o governo brasileiro deixa claro que está interessado apenas no uso comercial da base. "Queremos ganhar dinheiro", disse Sardenberg. O ministro espera que o centro renda ao País até US$ 30 milhões anuais, para investimentos em pesquisas espaciais. A base pode abrigar 14 lançamentos por ano. Para ser usada comercialmente, porém, depende de obras de infra-estrutura, como a ampliação de um porto (para receber os foguetes, que são transportados por navio) e a construção de uma estrada, no valor de R$ 40 milhões.
Entre 2001 e 2005, está previsto o envio ao espaço, a partir de Alcântara, de 60 satélites norte-americanos, que deverão ser colocados em órbita por um consórcio que envolve ainda Ucrânia e Itália. A operação comercial da base criará 2.500 empregos no Maranhão, segundo o governo. Lançar um foguete de Alcântara custa até 30% menos em combustível do que nas demais 17 bases espalhadas pelo mundo. Isso por causa da proximidade de Alcântara à linha do Equador - o que aumenta o impulso da rotação da Terra sobre o foguete.
Em comparação à base norte-americana na Flórida, um lançamento a partir de Alcântara representa economia de 15%, segundo o presidente da Agência Espacial Brasileira, Gylvan Meira Filho. O CLA já atraiu o interesse de oito das 15 maiores empresas de satélite do mundo, segundo Sardenberg, que espera trazer para o Brasil 10% dos lançamentos mundiais. O ministro destacou que 80% dos satélites fabricados no mundo são norte-americanos. O mercado mundial de lançamentos comerciais deve movimentar US$ 33 bilhões até 2007.

mockup