Acordo sobre tráfico prevê troca internacional de informações bancárias
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quinta-feira, 24 de junho de 1999
Por Roberta Jansen e Eliane Azevedo 
Rio, 25 (AE) - A troca internacional de informações bancárias é um dos principais pontos do acordo sobre tráfico de drogas, firmado em abril, no Panamá, que será divulgado durante a Cimeira América-Latina e Caribe-União Européia, no Rio. "Grandes fortunas do tráfico estão depositadas no exterior", afirmou um alto funcionário do governo da Bolívia.
"Se quisermos avançar no combate ao narcotráfico, é preciso termos controle sobre esses dados por meio dos bancos centrais dos países." O tema foi debatido hoje, na reunião preparatória para a Cimeira.
O documento "Plano de Ação Global em Matéria de Drogas Entre União Européia, América Latina e Caribe" foi elaborado por representantes dos blocos em sucessivos encontros internacionais e lista, em 12 páginas, uma série de ações conjuntas a ser implementadas pelas regiões. Um dos pontos mais importantes do documento prevê a troca de informações bancárias. "É preciso ter acesso a dados das pessoas que podem estar financiando o tráfico", afirmou o diplomata boliviano. O acordo prevê também a criação de programas regionais para o controle da lavagem de dinheiro. O documento determina ainda a troca de informações sobre a venda de produtos químicos controlados, que são usados no preparo de drogas, como a acetona e o éter.
Outro ponto considerado fundamental no documento é a adoção, em bloco, de formas alternativas de desenvolvimento para regiões que dependem economicamente da plantação de coca, como a Bolívia. O plano de ação prevê a análise de meios técnicos e agrícolas para que as populações dessas áreas plantem outros produtos. A prática é adotada em alguns países andinos por meio de acordos bilaterais, mas não em bloco. "Não adianta, no entanto, financiar a plantação de outros produtos agrícolas se não houver abertura de mercado", frisou o diplomata boliviano. "A Europa compra cocaína, mas será que comprará bananas, por exemplo?"
"Debatemos sobre o que poderia ser feito para ampliar o programa de substituição de culturas de produtos ilícitos", afirmou a vice-chanceler da Colômbia para Assuntos da América Latina, Clemência Forero. "E também programas de emprego para os camponeses envolvidos nesses cultivos." Para os representantes dos governos latino-americanos, o narcotráfico deve ser encarado como um tema de interesse comum a todos os países, tantos os chamados produtores como os ditos consumidores. "A ação deve ser conjunta", frisou Clemência. "O interesse é mútuo, portanto, a cooperação também deve ser", afirmou o diplomata da delegação boliviana. O coordenador-geral da Cimeira, Luiz Augusto de Castro Neves, informou hoje que os crimes transnacionais, como o narcotráfico e o tráfico de armas, serão objeto de dois parágrafos da Carta do Rio. "Em linhas gerais, defenderemos o reforço da cooperação internacional no combate a esses crimes", disse.


