Acordo sobre trabalho escravo será assinado na sexta
Berlim, 15 (AE-AP) - O acordo para indenização das vítimas de trabalho escravo durante o regime nazista será assinado na sexta- feira, em solenidade na capital alemã, informou hoje (15) o chanceler Gehrard Schroeder.
"Chegamos a um entendimento que satisfaz as partes", confirmou Schroeder, ressaltando a intervenção decisiva do presidente americano, Bill Clinton, no difícil processo de negociação. "Trocamos várias cartas e chegamos a uma soma adequada."
Em Washington, Clinton classificou o acordo de "extraordinária realização que fecha o século 20 com medidas de cunho material e moral fazendo justiça às vítimas de um terrível crime". O presidente americano ressaltou que o acordo vai beneficiar "dezenas de milhares de judeus e cristãos americanos, e mais de 1 milhão de sobreviventes das atrocidades nazistas que vivem hoje no centro e leste europeus".
Fontes do Ministério das Finanças alemão confirmaram a criação de um fundo especial de 10 bilhões de marcos (US$ 5,2 bilhões). Metade dessa soma virá do tesouro alemão, enquanto a outra parte será integralizada pelas cerca de 70 empresas alemãs que admitiram ter usado "trabalho forçado" durante o regime nazista.
O ministro das Finanças alemão, Hans Eichel, disse que o dinheiro começará a ser liberado dentro de seis meses no máximo. O negociador alemão Otto Lambsdorff estima em 2,3 milhões o total de sobreviventes espalhados pelo mundo que podem ter direito à indenização. Ele disse que caberá a cada um entre US$ 2,5 mil e US$ 7,5 mil. Essas pessoas têm hoje em média 80 anos.
"Queremos liberar logo o dinheiro para que possam aproveitar", disse o ministro das Finanças. Eichel empenha-se atualmente na aplicação de um plano de austeridade econômica que prevê profundos cortes no orçamento alemão e também na previdência social. "Não pretendemos recorrer aos cofres públicos para saldar essa dívida", explicou o ministro das Finanças durante entrevista. "Vamos buscar os recursos em outras áreas."
Segundo assessores dele, o plano é vender algumas propriedades do Estado ou adotar novos programas de privatização.
Entre as grandes empresas alemãs que admitiram ter usado trabalho escravo no esforço da guerra nazista e participam hoje do fundo de indenização estão a Volkswagen, Basf, Bayer, Daimler Chrysler, Deutch Bank, Degussa-Huels, Dresdner Bank, Thyssen Krupp, Hoechst, Siemens, Veba, Bosch e Porsche.





