Acordo sobre teto deverá ser modificado, diz Temer8/Mar, 18:01 Por Gilse Guedes Brasília, 08 (AE) - O presidente da Câmara dos Deputados, Michel Temer (PMDB-SP), disse hoje que o acordo fechado com o presidente Fernando Henrique Cardoso fixando o teto salarial do funcionalismo em R$ 11,5 mil deverá sofrer modificações nas comissões da Câmara e do Senado. "Ainda é cedo para dizer se o teto e as regras serão os mesmos do acordo, porque o projeto terá de passar pelas comissões da Câmara e do Senado e por dois turnos nos plenários das duas casas", afirmou. "Não é o presidente Fernando Henrique, os presidentes da Câmara, do Senado e do STF que vão estabelecer efetivamente o teto, como se fosse uma decisão autoritária", completou. Segundo Temer, o salário dos deputados será equiparado aos R$ 11 5 mil - atualmente, eles ganham R$ 8 mil - se a maioria dos parlamentares defender o reajuste. "É preciso saber o que eles querem", disse Temer. Ele não quis comentar a posição do presidente eleito do Superior Tribunal de Justiça (STJ), ministro Paulo Costa Leite, que defendeu o teto salarial de R$ 12.720 e não R$ 11,5 mil. Temer concorda com o vice-líder do PFL na Câmara, deputado José Carlos Aleluia (PFL-BA), para quem o reajuste salarial dos deputados só deve ocorrer se a decisão não prejudicar a "imagem" dos deputados. Para Aleluia, ao contrário dos juízes, os parlamentares precisam ficar atentos ao que pensam os eleitores. O corregedor da Câmara, deputado Severino Cavalcanti (PPB-PE) defendeu o teto salarial de R$ 12.720. Embora apoie a posição do presidente do STJ, que quer mudar o acordo oficializado em encontro com o Fernando Henrique, Severino avalia que as declarações desencontradas sobre o assunto mostram uma grande confusão entre os poderes. "Estão brincando com o tema", afirmou. "Quem será que está com a razão?", questionou. Para ele, é preciso se chegar logo a um consenso sobre o valor do teto.