Brasília, 19 (AE) - O acordo entre os líderes dos partidos governistas e os da oposição para a votação, hoje, da proposta de emenda constitucional que limita a edição de medidas provisórias revela uma nova fase de relacionamento entre as bancadas majoritárias e minoritárias na Câmara. Esse movimento já vinha sendo observado em algumas votações tanto no plenário como nas comissões técnicas da Câmara. O governo vem abrindo mão do "rolo compressor" e dialogando com a oposição, que não tem embaraçado as votações de interesse do governo. Para dar dois exemplos: isso aconteceu nas votações da proposta de quarentena para diretores do Banco Central, na Comissão de Finanças e Tributação, e do projeto de reestruturação das Forças Armadas, concluída ontem no plenário.
Hoje, também por acordo entre governo e oposição, a Comissão de Trabalho deve votar os dois últimos projetos de lei que regulamentam a reforma administrativa. O líder do PT na Câmara, José Genoíno (SP), avalia que esse diálogo está sendo possível porque a base governista está dividida e não tem mais o "rolo compressor". "Na medida em que o governo cede, a oposição não vai ser intransigente", avisa Genoíno, reconhecendo que o presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP), facilita o diálogo na medida em que está sendo "mais maleável" do que na gestão anterior.
Diálogo - O líder do governo na Câmara, Arnaldo Madeira (PSDB-SP), concorda que está havendo um bom diálogo entre governo e oposição. "Talvez melhor do que em outra fase", avalia. Mas ele critica atitudes da oposição como a de ontem, quando a base governista passou pelo constrangimento de debater por quase duas horas a possibilidade de um processo de impeachment contra o presidente Fernando Henrique Cardoso. O novo líder do governo no Congresso, deputado Arthur Virgílio Neto (PSDB-SP), é mais explícito em relação ao novo relacionamento das bancadas.
"Vou procurar os líderes da oposição para afirmar o compromisso absoluto do diálogo, que não vai parar nem quando parecer que não haverá acordo", avisa Virgílio. O novo líder lembra que o comportamento dos deputados da oposição na comissão especial que discute a proposta de emenda constitucional da reforma tributária foi elogiado ontem pelos deputados Germano Rigoto (PMDB-RS), Antônio Kandir (PSDB-SP) e Mussa Demes (PFL-PI) na reunião que ambos tiveram com o presidente Fernando Henrique.

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