Acordo reduz as exportações de aço aos EUA
São Paulo, 7 (AE) - O Brasil aceitou reduzir em 28% suas exportações de aço-carbono laminado a quente para os EUA, informaram funcionários norte-americanos em Washington.
O acordo também prevê que o Brasil limite suas exportações aos EUA a uma quota máxima de 295 mil toneladas. Outro item do acordo prevê preços mínimos para produtos brasileiros de aço laminado nos EUA. As negociações foram concluídas pouco antes da meia-noite de ontem(6) em Washington, prazo-limite para que os EUA impusessem tarifas anti-dumping contra o aço brasileiro. Essas tarifas seriam de 41% a 43%.
O secretário do Comércio norte-americano, William Daley, afirmou que "os acordos são um tremendo sucesso para a indústria de aço doméstica e mais uma evidência do sucesso da estratégia agressiva da administração para combater a alta de importações de aço ocorrida no ano passado".
O presidente do Instituto Brasileiro de Siderurgia (IBS)
Antônio José Polanczyk, considerou que a assinatura do acordo suspensivo de investigações anti-dumping, firmado entre o Departamento de Comércio Exterior dos Estados Unidos e o governo brasileiro, poderá pautar futuros acordos a serem assinados com relação à exportação de bobinas de aço laminados a frio e fio-máquina.
O acordo determinou que o Brasil exportará nos próximos cinco anos um volume total de 295 mil toneladas de produtos laminados a quente para os Estados Unidos, com um preço mínimo de comercialização interna no mercado norte-americano de 327 dólares por tonelada.
Polanczyk considerou que o acordo, sob determinado ponto de vista, foi "um mau menor". O presidente do IBS argumenta que, caso o acordo não fosse firmado, as exportações desse tipo de produto para os Estados Unidos ficariam suspensas - o que prejudicaria as siderúrgicas Usiminas, Cosipa e Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), que produzem este tipo de produto.
Polanczyk acredita que, com este acordo firmado, o País poderá assinar novos tratados com o Departamento de Comércio Exterior dos Estados Unidos em termos semelhantes para outros produtos.
No caso do fio máquina, o presidente do IBS acredita que o acordo que deve ser assinado até o fim do ano determinará sobretaxas de exportação decrescentes. "Provavelmente teremos uma sobretaxa de 15% no primeiro ano, 10% no segundo, mantendo essa sequência de reducão", informou.
Preço mínimo - O acordo feito pelas siderúgicas brasileiras com o governo dos Estados Unidos também fixa em US$ 255 o preço mínimo da tonelada do aço laminado a quente. Esse preço é superior ao preço da tonelado do mesmo produto fabricado nos EUA, que é de US$ 230.
Também Japão e Rússia estavam sendo acusados de dumping (subsídio do governo a produtores privados).
No caso do Japão, a decisão foi pior que as cotas impostas ao Brasil, pois as exportações daquele país foram consideradas subsidiadas e isso impede que elas sejam mantidas.
A indústria suderúrgica americana possui um forte lobby e emprega 167 mil trabalhadores, enquanto as empresas que importam aço - e estavam interessadas em pagar menos pelo produto - empregam 40 vezes mais.





